sexta-feira, 27 de março de 2009

Considerações Epidemiológicas de Doenças Fúngicas da Cultura do Inhame

Transcrevo o trabalho da Profa. Maria Menezes sobre Ação do ambiente sobre doenças de plantas.

ELEMENTOS DE UMA EPIDEMIA
Sabe-se que na natureza existe um equilíbrio entre o hospedeiro-patógeno em íntima relação com o ambiente. A ação do homem sobre a planta hospedeira, ambiente e o patógeno pode romper essa condição de equilíbrio, pela introdução de novas espécies ou produção de novas variedades mais produtivas, suscetíveis ou resistentes a doenças, como também, alterando a densidade de plantas por área e, portanto, tornando-as mais vulneráveis ou predispostas ao ataque de patógenos. Dentre os fatores que exercem influência sobre o desenvolvimento de doenças de forma epidêmica destacam-se: 1. O ambiente, atuando sobre a planta hospedeira, sobre o patógeno e sobre a interação hospedeiro-patógeno; 2. O hospedeiro; 3. O patógeno.
O Ambiente
O ambiente é visto como o conjunto de fatores climáticos e edáficos que envolvem o sistema patógeno-hospedeiro, exercendo importante papel sobre as doenças. A planta hospedeira, patógeno e o ambiente representam três elementos essenciais na determinação da ocorrência de doença, sua incidência e severidade, relacionando-se mutuamente.
a) Efeito do ambiente sobre a planta hospedeira
A predisposição das plantas aos patógenos pode ser influenciada pela umidade, temperatura e fertilidade do solo, considerados como principais fatores do ambiente. A nutrição da planta, principalmente em relação aos macronutrientes N,P,K, e a disponibilidade desses nutrientes no solo são de fundamental importância no aumento ou redução da predisposição da planta à doenças, dependendo do balanço entre os teores de nutrientes. Alguns patógenos são mais severos quando as plantas estão subnutridas, enquanto outros preferem o contrário. Sabe-se que teores elevados de N tendem a aumentar a suscetibilidade, enquanto teores elevados de K reduzem a suscetibilidade da planta a muitas doenças. Este fato, pode ser relacionado com a
variação nos mecanismos bioquímicos de defesa da planta hospedeira, variação nos elementos estruturais do hospedeiro, como exemplo, da parede celular e, ainda, influenciando as reservas de alimento do hospedeiro disponível ao patógeno.
A suscetibilidade ou resistência ocorre dentro dos limites de uma faixa de variação, a qual é determinada pelos fatores que influenciam o estado fisiológico da planta, tornando-a mais, ou menos sujeita ao ataque do patógeno. Em condições ideais para o crescimento da planta, ela é capaz de tolerar certo grau de infecção. Entretanto, em condições menos favoráveis, a planta torna-se predisposta a infecção e é menos capaz de tolerar a infecção.
b) Efeito do ambiente sobre o patógeno
A severidade de uma doença, distribuição e incidência estão condicionadas à ação do ambiente sobre o patógeno. O ambiente poderá atuar diretamente sobre o patógeno nas fases de germinação e penetração no hospedeiro e, também, indiretamente sobre os patógenos habitantes do solo, ao influenciar a população de microrganismos do solo, os quais exercem ação antagônica sobre os agentes fitopatogênicos.
Os esporos de muitos fungos são liberados no ar e podem ser disseminados pelo vento a curta ou longa distância e, também, por insetos. Patógenos que são disseminados pelos respingos de chuva levados pelo vento, são anualmente responsáveis por epidemias severas, porém localizadas em determinadas áreas de cultivo. Por outro lado, os patógenos presentes no solo e disseminados através do solo, são geralmente incapazes de causar uma epidemia de forma súbita, atingindo extensa área. Devido à disseminação vagarosa, a ocorrência de uma epidemia vai depender do inóculo acumulado no solo. Patógenos transportados por sementes ou material propagativo, como túberas ou bulbos, poderão desencadear uma epidemia, dependendo da quantidade de inóculo lançado no solo por ocasião do plantio.
Efeito do ambiente sobre a interação patógeno-hospedeiro
Após o patógeno se estabelecer no hospedeiro, o ambiente irá também afetar a doença atuando sobre os dois componentes da interação, patógeno e hospedeiro. Do mesmo modo, o ambiente poderá afetar a reprodução do patogeno. Muitos fungos só produzem estruturas de reprodução sob condições de alta umidade relativa do ar e temperatura adequada. O ambiente também exerce efeito sobre a duração do período entre a penetração e a produção de novas estruturas de reprodução do patógeno, cujo período pode ser mais prolongado se as condições de temperatura e umidade forem desfavoráveis à infecção.
O clima representa um dos fatores determinantes da distribuição geográfica dos fitopatógenos, sendo a umidade e temperatura os fatores que governam essa distribuição. A alta umidade é o fator predominante no desenvolvimento de uma epidemia, porque promove o crescimento de tecidos novos e suculentos no hospedeiro, além de aumentar a esporulação do patógeno, permitindo a ocorrência de doenças. Por outro lado, a ausência de umidade, mesmo por alguns dias, pode interromper o ciclo da doença. Algumas doenças, são mais severas em condições secas do que úmidas, como exemplo, as causadas por Fusarium, porém raramente ocorrem de forma epidêmica.
A temperatura também reduz a quantidade de inóculo de fungos, sendo mais comum o seu efeito sobre o patógeno durante as várias fases da patogênese, ou seja, germinação de esporos, penetração e colonização do tecido hospedeiro, reprodução, etc., não completando o patógeno o seu ciclo de vida, em temperatura desfavorável.
Em qualquer região em particular há uma média de temperatura e precipitação para cada estação do ano, determinando o clima daquela região e limitando a localização geográfica, dentro da qual o patógeno pode sobreviver com sucesso.
Há quatro combinações de temperatura e umidade que favorecem um grande número de doenças e seus agentes causais: quente e seco, quente e úmido, frio e seco, frio e úmido (Kenaga, 1974).
O Hospedeiro
O nível de resistência genética ou a suscetibilidade do hospedeiro, como também a uniformidade genética do hospedeiro, desempenham importante papel nas ocorrências de doenças de forma epidêmica. Plantas com alto nível de resistência não permitem o estabelecimento do patógeno e, portanto, impedem o desenvolvimento de doenças, a não ser que haja o surgimento de uma nova raça do patógeno capaz de atacar esse hospedeiro, e que todas as condições do ambiente sejam favoráveis a interação planta-patógeno.
Quando plantas hospedeiras, geneticamente uniformes, principalmente em relação aos genes de resistência à doença, são cultivadas em grandes áreas, existe o grande risco do aparecimento de uma nova raça do patógeno capaz de atacar o genoma daquela espécie hospedeira, resultando numa epidemia. A taxa mais alta de desenvolvimento de epidemias, geralmente ocorre em culturas propagadas vegetativamente e, também, em culturas autopolinizadas, enquanto culturas de polinização cruzada parecem ter uma taxa mais baixa de epidemias (Agrios, 1988).
3. O Patógeno
Dos fatores do patógeno que contribuem para a ocorrência de epidemias, destaca-se o nível de virulência, a quantidade de inóculo no hospedeiro, a velocidade de reprodução e a disseminação eficiente.
O patógeno virulento com capacidade de infectar mais rapidamente a planta hospedeira, garante maior produção de inóculo, do que os patógenos menos virulentos. Portanto, o maior número de propágulos produzidos, alcançando a superfície do hospedeiro, aumenta a chance da ocorrência de uma epidemia.
Os patógenos que têm ciclos curtos de modo a produzir várias gerações numa mesma estação de cultivo da planta hospedeira, servindo esta como fonte de inóculo para outras plantas no mesmo período, são chamados de policíclicos. As doenças causadas por estes patógenos são chamadas de doenças de ciclos secundários ou de "juros compostos". Por outro lado, os patógenos que se reproduzem vagarosamente, de modo a produzir poucos ciclos reprodutivos numa mesma estação de cultivo do hospedeiro, são chamados de patógenos monocíclicos e as doenças causadas por estes patógenos são chamadas de doenças de ciclo primário ou de "juros simples" (Van der Plank 1963). A quantidade de inóculo no campo vai acumulando com o passar do tempo. Ex.: as fusarioses.
Eng. Agrôn., Pós-Doctor, UFRPE. E-mail: menezes@truenet.com.br

terça-feira, 10 de março de 2009

Viróides



•"Viróides são agentes infecciosos consistindo de cadeias simples de RNA.

Viróides: Moléculas de RNA fita simples e circulares que infectam células de plantas. Não produzem proteínas.


•Eles são muito menores e muito mais simples que vírus.
•Viróides usam plantas superiores para reprodução, inserindo-se no núcleo, contudo, não transcrevem nenhuma proteína, roubando-as para formar seu capsídeo de um vírus helper


•Geralmente são transmitidos por sementes ou pólen.
•O mecanismo de fabrico dos viroides é dependente do hospedeiro que infectam. Plantas infectadas podem apresentar crescimento distorcido.
•Cerca de 33 espécies já foram identificadas.


•Até meados do Séc. XX, os vírus eram considerados os representantes mais simples da escala biológica;
•Descoberta dos viróides em 1970 (nova classe de móleculas auto-replicativas – agentes sub-virais);
•Os Viróides “precederam” o mundo atual baseado no DNA e proteínas, sendo considerados fósseis moleculares.

•A simplicidade dos vírions e o fato da molécula do RNA interagir diretamente com os fatores do hospedeiro colocam esse patógeno como modelo para o estudo de processos metabólicos.

•A taxonomia moderna dos viróides divide estes patógenos em duas famílias:
•Avsunviroidae;
•Pospiviroidae.
•Atualmente são aceitas 28 espécies e 8 possíveis novos viróides ainda não se encontram classificados;
•Os critérios para a discriminação das espécies de viróides consideram a similaridade de seqüência menor que 90%, que caracterizam viróides distintos.


•Segundo (Flores, 2005b), quando a similaridade de seqüência de nucleotídeos é superior a 90%, consideram-se variantes de um mesmo viróide.
•Pelo menos uma propriedade biológica diferencial deve ser considerada, como círculo de hospedeiros, modo de transmissão e o fenômeno de proteção cruzada.

PROPRIEDADES DOS VIRÓIDES


•Características gerais
•Os viróides constituem os menores e mais simples fitopatógenos conhecidos;
•Diener (1991), cita os viróides como parasitas moleculares no limiar da vida, pois consistem de uma molécula de RNA fita simples, circular com forte estrutura secundária e desprovidos de proteínas.
•O primeiro viróide (Potato splinde tuber viroid) PSTVd foi identificado e seqüenciado por Gross (1978).

•Viróide da exocorte dos citros (Citrus exocortis viroides, CEVd);
•Nanismo do crisântemo (Crysanthemum stunt viroid, CSVd);
•Do “cadang-cadang” do coqueiro (CCCVd).


Sintomas


•Os sintomas que são induzidos pelos viróides nas plantas hospedeiras são semelhantes aos dos fitovírus, fato este que dificulta o diagnóstico;
•Para uma série de fitomoléstias inicialmente consideradas de etiologia viral, comprovou-se posteriormente que o agente causal era um viróide e não vírus.

•Os sintomas foliares incluem malformações, epinastia,rugosidade e manchas necróticas e/ou cloróticas.
•Causam no caule de plantas lenhosas o encurtamento dos entrenós, descolorações, caneluras e necrose.
•Finalmente, nos frutos e órgãos de reserva causam deformações, descolorações e necrose (Hadidi et al., 2003).

Difusão


•A via principal de difusão de alguns viróides, sobretudo aqueles que afetam plantas lenhosas de interesse econômico, tem sido o intercâmbio internacional de material propagativo infectado.

Transmissão


•Os viróides são facilmente transmitidos mecanicamente, podendo raramente ser transmitidos por pólen e por sementes.
•A transmissão eficiente de viróides por afídeos somente foi relatada para o Tomato planta macho viroide (TPMVd).
•Os viróides também podem ser transmitidos por instrumentos de poda.

Replicação


•Os viróides se propagam nas plantas hospedeiras como populações de seqüências de RNAs similares mas não idênticas, derivadas de mutações devido à ausência de mecanismos de correção nas RNA polimerases.

Interação viróide/hospedeiro
•Como efeito da ausência de proteínas codificadas pelos viróides, parece evidente que estes aparentemente simples RNAs devam interagir com proteínas celulares utilizando-as para mediar diferentes passos no seu ciclo infeccioso

Movimento dos viróides na planta
•Apesar de seu tamanho mínimo, os viróides atuam visando completar seu ciclo infeccioso nas plantas hospedeiras, que além da replicação inclui movimento intracelular (núcleo, cloroplasto, célula-célula e floema).
•Diferentemente dos vírus, que codificam suas próprias proteínas de movimento, os viróides devem interagir com fatores do hospedeiro para que possam ser transportados por toda planta.


Base de consulta

EIRAS, M., DARÒS, J.A., FLORES, R. & KITAJIMA, E.W. Viróides e virusóides: relíquias do mundo de RNA.
Fitopatologia Brasileira 31:229-246. 2006.
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quarta-feira, 4 de março de 2009

Transmissão de vírus vegetais


Os vírus de plantas são transmitidos, na natureza, principalmente por meio de enxertia, insetos vetores e contato membrânico. Existem casos de transmissão pelo grão de pólen por fungos do solo, por nematóides e por ácaros, mas são raros. Entretanto, para fins de considerações que os vírus podem ser disseminados a longas distâncias por meio de sementes (Mosaico Comum do Feijoeiro), Mosaico da Alface, TWV em tomateiro e órgãos de propagação vegetativa (mosaico e raquitismo da cana-de-açúcar, enrolamento da batatinha, etc.)


A transmissão por enxertia é o método mais aplicável, exigindo que o vírus se torne sistêmico. Assim se transmitem, nas condições naturais, por exemplo, os vírus da Tristeza, Exocorte e Xiloporose do Citrus. Experimentalmente, vírus comum a duas espécies vegetais que não se enxertam podem ser transmitidos por enxerto de Cuscuta sp., fanerógamo parasita.


A transmissão mecânica, muito utilizada em estudos de inoculação artificial, é um método muito importante para vírus como o TWV e o Mosaico das Cucurbitáceas que pelo simples contato do lavrador com uma planta doente com uma sadia pode transmitir o vírus.


A transmissão de vírus vegetais por insetos vetores é o método mais comum na natureza. Dentre os insetos vetores os Afídeos constituem o grupo mais numeroso, sendo responsável pela transmissão de mais ou menos 90 vírus diferentes. Dentre os afídeos sabe-se que o Myzus persicae é transmissor de mais de 50 vírus diferentes.


Há determinados vírus que são transmitidos por vários insetos, como por exemplo o vírus do mosaico do pepino que é transmitido por algumas dezenas de insetos. Também existem vírus transmissíveis por apenas um inseto, como no caso do vírus da beterraba açucareira transmitida por Circulifer tenellus. Os trips se caracterizam por transmitir somente uma espécie de vírus de planta, como, por exemplo, no caso de Frankliniella paucispinosa que transmite somente o vírus do vira-cabeça.
A transmissão do vírus pelos insetos pode Ter um caráter persistentes ou não persistentes. Diz-se que o vírus é persistente quando, após um longo período mínimo de alimentação em plantas doentes, para aquisição e após um longo período de retenção no inseto, geralmente por toda a vida. Por exemplo, vírus do enrolamento das folhas da batatinha se multiplica com maior eficiência no inseto vetor Myzus persicae com maior período de alimentação; apresenta um período latente de 24 horas e, o pulgão guarda o vírus não persistentes são adquiridos pelo vetor num curto período de alimentação (10 horas no máximo) e são retidos por um período máximo de 24 horas. Por exemplo, o vírus do mosaico da beterraba é adquirido por Myzus persicae em 2 horas e é retido por apenas 3 horas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

VÍRUS: ASPECTOS GERAIS












1.CONCEITO:
Conjunto formado por uma ou mais moléculas de ácido nucléico genômico, normalmente envolto por uma capa ou capas protetora(s) de proteína ou lipoproteína, o qual é capaz de mediar sua própria replicação somente no interior das células hospedeiras apropriadas Matthews (1992).
2. CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS DE PLANTAS
Parasitas obrigatórios.
Presença de um só tipo de ácido nucléico, RNA ou DNA.
Incapacidade de crescer e se dividir autonomamente.
Dependem da célula hospedeira para replicação.
Dependem da célula hospedeira para executar funções vitais.
Replicação somente a partir de seu próprio material genético.
Ausência de informação para produção de enzimas do ciclo energético.
Ausência de informação para síntese de RNA de transferência e ribossômico.
Características distintivas
Tipo de material genético (DNA ou RNA)
Tamanho e Forma
Natureza do envoltório (com ou sem envelope)
Genoma muito simples
3. COMPONENTES ESTRUTURAIS DOS VÍRUS
Genoma: conjunto de informações genéticas de um vírus, codificado pelo ácido nucléico.
Capsídeo: capa protéica que envolve o genoma viral, formada por subunidades de proteína.
Capsômero: subunidades do capsídeo.
Nucleocapsídeo: conjunto formado pelo genoma mais capsídeo.
Envelope: membrana que envolve o nucleocapsídeo em alguns tipos de vírus.
Vírion: estrutura viral completa.
4. COMPONENTES QUÍMICOS DOS VÍRUS VEGETAIS
Ácidos Nucléicos
Proteínas
Lipídeos
Carboidratos
Estrutura Básica dos vírus
Vírion = partícula viral completa e infecciosa
Capsídeo
Ácido Nucléico
Matriz Protéica

Forma relativa, tamanho e estrutura de alguns vírus de plantas representativos. A) vírus na forma de bastonete flexuoso; B) vírus na forma de bastonete rígido; B-1) vírus na forma de bastonete flexuoso, mostrando subunidades de proteínas [PS] e ácido nucléico [NA]; B-2) seção transversal do vírus na forma de bastonete flexuoso, mostrando o canal central [HC]; C) vírus na forma baciliforme com envelope; C-1) seção transversal vírus na forma baciliforme com envelope; D) vírus na forma poliédrica; D-1) icosaedro, representando a simetria de 20 lados que são arranjadas as subunidades de proteína do vírus poliédrico; E) vírus na forma poliédrica com duas partículas iguais seminadas [adaptado de Agrios (1997)].
6. CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DOS VÍRUS
n6.1. Classificação
● Tipo de ácido nucléico (DNA ou RNA);
● Número de fitas de ácido nucléico (monocatenário ou bicatenário);
● Peso percentual do ácido nucléico em relação à partícula;
● Peso molecular, tamanho e forma da partícula (isométrica, alongada e baciliforme);
● Presença ou ausência de envelope características físicas, químicas, biológicas e antigênicas da partícula;
● Gama de hospedeiros; forma de transmissão.
n6.2. Nomenclatura
São denominados pelo tipo de doença ou sintomatologia apresentada pelo hospedeiro.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

COLETAR, PREPARAR E ENVIAR MATERIAL PARA ANÁLISE



Finalidade:
•Orientar as atividades de coleta de materiais para exames de laboratório, tendo em vista a necessidade e a importância de se obter amostras representativas e resultados mais precisos.

•Recomendam-se procedimentos para a preservação dos materiais, retardando a ação biológica, para dar condições de exame. Tais materiais devem ser acompanhados de informações importantes (preenchimento de formulário apropriado), sendo que material completamente seco em estado de putrefação, e sem a informação necessária serão eliminados do processo de análise.

Plantas com murchamento, amarelecimento ou enfraquecimento geral.

•1. Arrancar as plantas cuidadosamente (não puxá-las).
•2. Enviar a planta inteira, incluindo as raízes, com torrão de terra em volta.
•3. Enviar plantas que apresentem os primeiros sintomas da doença.

•4. Enviar amostras do solo e pedaços de raízes em saco plástico, bem fechado para evitar perda de umidade.
•5. Árvores grandes, coletar as raízes, grandes e pequenas, junto com torrão de solo, na área da projeção da copa, cobrindo-as com plástico.

Cancros em ramos e troncos

•1. Selecionar espécimes com infecções recentes.
•2. Enviar uma parte inteira com o sintoma e, se possível, também uma parte localizada abaixo e acima da parte infectada.
•3. Ramos e galhos mortos há vários meses, não servem para identificações.

C – Manchas foliares
1. Coletar amostras de folhas que mostram sintomas iniciais e adiantados de infecção.

Órgãos frágeis

•1. Putrefações em frutas frágeis e vegetais necessitam atenção especial. Não enviar aquelas com avançado estado de decomposição.
•2. Selecionar materiais frescos que demonstrem os primeiros sintomas colocá-los em saco plástico, não adicionar água. Vegetais frágeis e frutas devem ser acondicionadas separadamente.
•Guardar em lugar fresco, até o momento do despacho.
•Obs.: É recomendado o uso de saco plástico devido a melhor conservação do material e para evitar derrames de secreções, etc.

•1. Embrulhar cada material em papel resistente. Colocar o endereço perfeitamente visível.
•2. Folhas ou pequenas plantas podem ser envolvidas em folha de jornal ou mata borrão.
•3. Não colocar o endereço e a ficha de identificação em contato com o material a ser analisado.

•4. Enviar logo após a coleta. Se não for possível, guardar em geladeira até o momento da remessa.
•5. Endereçar para laboratório fitopatológico.
•6. Programar a chegada das amostras no laboratório, em dias úteis.

Informações que devem acompanhar o material


•1. Preencher a ficha para o envio do material para análise.
•2. Colocar a ficha em lugar seguro junto ao pacote.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

MANEJO INTEGRADO DE DOENÇAS DE PLANTAS - MID


Os problemas decorrentes do manejo inadequado dos defensivos agrícolas tem provocado acidentes nas mais distintas regiões do país, calcula-se que anualmente no Brasil 5 mil produtores são contaminados pelo uso de defensivos agrícolas. No Paraná foram registrados no ano de 1996, 786 casos de intoxicação por defensivos agrícolas, sendo 52% destes, na lavoura (FERRO e ROSSETO 1996). No Brasil existem cerca de 7 milhões de trabalhadores rurais e 18 milhões de pequenos produtores agropecuários, que ocasionalmente utilizam produtos fitossanitários, sendo necessário que se promova um intenso processo de orientação e conscientização dessa grande população, sendo fundamental que ela esteja conscientizada sobre os possíveis riscos durante o manuseio e a aplicação desses produtos (CORREIO AGRÍCOLA, 1999). Introdução
Doença de Plantas = P + H + A Patógeno virulento. Hospedeiro suscetível. Ambiente favorável.
Controle ou Manejo de Doenças de Plantas?
Controle: finalismo; completo domínio
Manejo: Processo contínuo de Controle da doença
Objetivos do Manejo Integrado de Doenças M.I.D
Redução dos custos de produção; Manter equilíbrio ecológico; Redução dos riscos de intoxicação do aplicador;
Preservar saúde do consumidor.
Estratégias do M.I.D
Redução da quantidade de inóculo Redução da taxa de progresso da doença
Etiologia; Epidemiologia; Interações patógeno x agroecossistema; Clima (temperatura, chuva, orvalho, etc); Hospedeiro (resistência genética, densidade foliar, variedade, etc); Patógeno ( inóculo, raças fisiológicas, virulência, sobrevivência no solo, restos de cultura, etc).
M.I.D Exemplo de Técnicas
Histórico da área Local do plantio Época de plantio Sementes e mudas Clima Tratos culturais Nutrição Plantas daninhas
Práticas de manejo
Eliminação ou redução do inóculo Escape Termoterapia Compostagem C. Biológico Solarização Resistência Rotação de Cultura Tratamento de sementes Certificação Decréscimo doença no campo
Controle de insetos Escape Irrigação Nutrição Rotação de Culturas Controle Químico Resistência Previsão 8.M.I.D – Entraves
Pesquisa e informação técnica limitada; • Influência dos vendedores de defensivos agrícolas; • Serviço de Extensão Rural deficiente; • Falta de apoio dos Governos; • Complexidade dos programas de controle; • Receio de correr riscos; • Falta de compreensão dos problemas e anseios do produtor; • Descapitalização dos produtores; Ventura (1999)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Isolamento de microrganismos




Um dos maiores problemas na Fitopatologia diz respeito a identificação correta do agente causal da doença.
Nesse sentido, deve-se ter todo cuidado nos procedimentos de isolamento de fitopatógenos e preferencialmene aplicar todas as etapas do postulado de Kock.
Cultura mista;

Cultura pura

Técnicas de isolamento requerem muita atenção de fitopatologistas, pois vários fatores podem interferir no processo, desviando do objetivo maior que é se chegar a uma cultura pura. As técnicas de isolamento dependem do:
Tipo de material
Meio de cultura
Inóculo

Isolamento de fungos

Método depende:
Comportamento na planta (parte aérea, folhas e frutos).
Comportamento no solo* (podridões do colo ou raízes, sistema vascular).
muitos sobrevivem como saprófitas ou na forma de estruturas de resistência: clamidósporos, esclerócios, esporos, etc



É importante conhecer a ecologia das espécies fitopatogênicas



Fatores importantes no isolamento do fungo:
Condição do material depende:
Tipo de desinfetante utilizado;
Substrato;
pH;
Condições de incubação



Material a ser isolado deve exibir sintomas típicos



Isolamento: feito na região de transição
Utilizar amostras novas e bem acondicionadas;
Desinfecção superficial de orgãos vegetais
Desinfectar superficialmente;
Lavagem com água e sabão;
Utilizar hipoclorito de sódio 1:1000;
Tecidos tenros: tempo de exposição menor;
Tecidos mais secos: imersão em água seguida de imersão no desinfetante.



Substrato utilizado
Meios BDA ou ágar-água
Fungos que crescem devagar acrescentar antibiótico ao meio;
pH do substrato
Fungos crescem bem pH 4,5 – 6,5.
Condições de incubação
Temperatura 20 a 25 graus C