sexta-feira, 17 de abril de 2009

Vira-cabeça do tomateiro



Agente causal
Tomato spotted wilt vírus (TSWV)

Doença descrita em 1915 na Austrália. Identificada como vírus em 1930.
Afeta as culturas do amendoim, alface, pimentão, jiló,abobrinha, pepino e cebola,

Sintomatologia
Clorose acentuada nas folhas jovens de cor bronzeada. Paralização no desenvolvimento da planta. Folhas distorcidas com lesões necróticas no limbo e pecíolo – anéis concêntricos.
Ponteiro todo necrosado, com freqüência, curva-se para um dos lados. Plantas jovens os sintomas são mais severos. Frutos maduros mostram-se vermelho-pálido, com áreas amareladas contornadas por mosqueado irregular ou, manchas distintas com anéis concêntricos

Manejo
Escolha de local apropriado.
Rotação com espécies não-suscetíveis, como milho e couve-flor.
Resistência genética*.
Eliminação de hospedeiros alternativos.
Plantio fora da época quente e úmida do ano – incidência maior do vetor.
Aplicação regular de inseticidas granulados e sistêmicos complementares.
Plantio de barreiras vivas com milho ou crotalária.
Uso de painéis refletores colocados antes do plantio – desorientar o tripes.
Uso de mudas livres de vírus.
*Plantas transgênicas resistentes ao vírus foram desenvolvidas em crisântemo, amendoim, fumo e tomate, mas não foram ainda liberadas para uso comercial, (Kurozawa & Pavan, 2005).

sábado, 11 de abril de 2009

Transdisciplinaridade no ensino da Fitopatologia.





Fitopatologia é uma palavra de origem grega (phyton = planta, pathos = doença e logos = estudo), podendo ser definida como a ciência que estuda
as doenças de plantas,abrangendo todos os seus aspectos, desde a diagnose, sintomatologia, etiologia, epidemiologia, até o seu controle.
Inicialmente a Fitopatologia era ligada à Botânica, passando depois a ser autônoma. A Fitopatologia necessita de conhecimentos básicos e técnicas de Botânica, Microbiologia, Micologia, Bacteriologia, Virologia, Nematologia, Anatomia Vegetal, Fisiologia Vegetal, Ecologia, Bioquímica, Genética, Biologia Molecular, Engenharia Genética, Horticultura, Solos, Química, Física, Meteorologia, Estatística e vários outros ramos da ciência.
Como se observa, a disciplina Fitopatologia requer do discente uma ampla gama de conhecimentos, os quais são de vital importância para as observações em laboratório e em campo principalmente. Isto posto, a visão holística e sistêmica ao mesmo tempo se faz necessária para um melhor aprendizado dos conceitos e sua aplicação prática.
Partindo do princípio que a formação acadêmica é disciplinar, a própria pesquisa também é disciplinar, e que o disciplinar se constitui em uma forma clássica produtora de cultura, como um método cotidiano de investigação, como se poderia trabalhar melhor o ensino dessa disciplina dentro de uma concepção holística e sistêmica?
Sabe-se que os cenários do conhecimento, principalmente nos dias de hoje se amparam na ampliação e diversificação dos espaços de produção do saber e do como fazer. A socialização do conhecimento passou a ser a regra diante de uma sociedade pautada no capital intelectual. Hoje o pesquisador sabe que a sociedade rejeita sob todos os aspectos o conhecimento enclausurado bem como a forma de trabalho que se baseia no individualismo fechada para si mesmo.
Por outro lado, sabe-se que existe uma necessidade continua de se realizar pesquisas científicas em áreas específicas de conhecimento dada a dinâmica cada vez maior no âmbito das inovações tecnológicas, principalmente no campo das doenças de plantas. O resultado de tudo isso se dá na forma de como a sociedade se comporta no tocante ao conhecimento. Exige-se um conhecimento que se abra para outras áreas, procurando integração e diálogo, que saiba distinguir bem o que é causa e o que é efeito.
A Disciplinaridade
Na vida, somos todos “transdisciplinares”, mas quando colocamos os pés nas salas de aula, somos disciplinares. A disciplinaridade se sobrepõe a transdisciplinaridade, a visão articulada do conhecimento. Um resultado indesejável disto, é a visão limitada que se têm dos fatos que ocorrem ao ponto de muitas vezes não se distinguir o que ocasiona uma doença de planta e como resultado, aplica-se medidas que só são efetivas para as conseqüências.
A disciplinaridade de um modo geral e em particular na Fitopatologia busca aprofundar e ampliar conhecimentos da área, bem como descobrir novos recursos tecnológicos que possam contribuir para a solução dos problemas que se apresentam no dia a dia. A disciplinaridade e aí quando se ensina se constata isso muito bem, possui limites bem estabelecidos pela área, os quais dificultam a conhecer melhor os “porque”, os “como”, os “onde”, etc.
Apesar de tudo isto, a disciplinaridade se constitui em um caminho normal para evolução da ciência e com a Fitopatologia não poderia ser diferente diante de um processo dinâmico cuja evolução se dava na medida em a própria ciência fitopatológica era definida: Gaümann (1946): “Doença de planta é um processo dinâmico, no qual hospedeiro e patógeno, em íntima relação com o ambiente, se influenciam mutuamente, do que resultam modificações morfológicas e fisiológicas”. Agrios (1988): “Doença é o mau funcionamento de células e tecidos do hospedeiro que resulta da sua contínua irritação por um agente patogênico ou fator ambiental e que conduz ao desenvolvimento de sintomas. Doença é uma condição envolvendo mudanças anormais na forma, fisiologia, integridade ou comportamento da planta. Tais
mudanças podem resultar em dano parcial ou morte da planta ou de suas partes”. O conceito de Agrios apesar de mais abrangente é menos utilizado pelos fitopatologistas do que o de Gaumann, embora aquele trabalhe o conceito do ponto de vista do holismo.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Meleira do Mamoeiro*



Importância
→ A meleira do mamoeiro é considerada como o principal problema fitossanitário desta cultura no Brasil;
→ contribui para aumento da população de mosca-das-frutas;
→ Ocorre perdas de 30 a 100% na produção.

Etiologia
→O PMeV é restrito as células dos vasos laticíferos;
→ Genoma viral é constituído por uma molécula de RNA, de fita dupla;
→ Transmissão por semente ainda não foi comprovada


Sintomatologia
→Intensa exsudação de látex dos frutos infectados;
→ Látex apresenta um aspecto mais translúcido, aquoso e escorre com mais facilidade do que o látex das plantas sadias;
→ A exsudação nas extremidades das folhas mais novas deixando-as necróticas;
→ Ao passar do tempo o látex escorrido oxida-se adquirindo um aspecto borrado ou melado;
→ Os frutos infectados apresentam mancha clara e deformados e, em alguns casos, a polpa adquire um aspecto esponjoso e com sabor alterado (J.A.M. Rezende).


Manejo
→Inspeções semanais nos pomares;

→ Eliminação de pomares velhos, abandonados e de plantas com sintomas de vírus;
→ Mudas provenientes de sementes de plantas sadias;
→ Instalação de viveiros e pomares novos o mais distante possível de outros pomares.
→ Desinfestação das ferramentas agrícolas.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BEDENDO, I.P. Vírus. In: BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. (Eds.). Manual de fitopatologia: princípios e conceitos. 3. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 1995. v.1, p.132-160.
KIMATI, H.; AMORIM, L.; REZENDE, J.A.M.; BERGAMIM FILHO, A.; CAMARGO, L.E.A. Manual de fitopatologia. 4. ed. São Paulo: Editora Agronômica Ceres, 1995. v. 2, p. 435 – 443.
Doenças do mamoeiro. Disponível em: www6.ufrgs.br/agronomia/fitossan/herbariovirtual. Acesso em 16.03.2009.
Proteção de plantas na agricultura sustentável . Disponível em: http://www.pgfitopat.ufrpe.br/. Acesso em: 03.03.2009
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*contribuição da aluna da disciplina Fitopatologia II Maria Andreia R. de Moura

sexta-feira, 27 de março de 2009

Considerações Epidemiológicas de Doenças Fúngicas da Cultura do Inhame

Transcrevo o trabalho da Profa. Maria Menezes sobre Ação do ambiente sobre doenças de plantas.

ELEMENTOS DE UMA EPIDEMIA
Sabe-se que na natureza existe um equilíbrio entre o hospedeiro-patógeno em íntima relação com o ambiente. A ação do homem sobre a planta hospedeira, ambiente e o patógeno pode romper essa condição de equilíbrio, pela introdução de novas espécies ou produção de novas variedades mais produtivas, suscetíveis ou resistentes a doenças, como também, alterando a densidade de plantas por área e, portanto, tornando-as mais vulneráveis ou predispostas ao ataque de patógenos. Dentre os fatores que exercem influência sobre o desenvolvimento de doenças de forma epidêmica destacam-se: 1. O ambiente, atuando sobre a planta hospedeira, sobre o patógeno e sobre a interação hospedeiro-patógeno; 2. O hospedeiro; 3. O patógeno.
O Ambiente
O ambiente é visto como o conjunto de fatores climáticos e edáficos que envolvem o sistema patógeno-hospedeiro, exercendo importante papel sobre as doenças. A planta hospedeira, patógeno e o ambiente representam três elementos essenciais na determinação da ocorrência de doença, sua incidência e severidade, relacionando-se mutuamente.
a) Efeito do ambiente sobre a planta hospedeira
A predisposição das plantas aos patógenos pode ser influenciada pela umidade, temperatura e fertilidade do solo, considerados como principais fatores do ambiente. A nutrição da planta, principalmente em relação aos macronutrientes N,P,K, e a disponibilidade desses nutrientes no solo são de fundamental importância no aumento ou redução da predisposição da planta à doenças, dependendo do balanço entre os teores de nutrientes. Alguns patógenos são mais severos quando as plantas estão subnutridas, enquanto outros preferem o contrário. Sabe-se que teores elevados de N tendem a aumentar a suscetibilidade, enquanto teores elevados de K reduzem a suscetibilidade da planta a muitas doenças. Este fato, pode ser relacionado com a
variação nos mecanismos bioquímicos de defesa da planta hospedeira, variação nos elementos estruturais do hospedeiro, como exemplo, da parede celular e, ainda, influenciando as reservas de alimento do hospedeiro disponível ao patógeno.
A suscetibilidade ou resistência ocorre dentro dos limites de uma faixa de variação, a qual é determinada pelos fatores que influenciam o estado fisiológico da planta, tornando-a mais, ou menos sujeita ao ataque do patógeno. Em condições ideais para o crescimento da planta, ela é capaz de tolerar certo grau de infecção. Entretanto, em condições menos favoráveis, a planta torna-se predisposta a infecção e é menos capaz de tolerar a infecção.
b) Efeito do ambiente sobre o patógeno
A severidade de uma doença, distribuição e incidência estão condicionadas à ação do ambiente sobre o patógeno. O ambiente poderá atuar diretamente sobre o patógeno nas fases de germinação e penetração no hospedeiro e, também, indiretamente sobre os patógenos habitantes do solo, ao influenciar a população de microrganismos do solo, os quais exercem ação antagônica sobre os agentes fitopatogênicos.
Os esporos de muitos fungos são liberados no ar e podem ser disseminados pelo vento a curta ou longa distância e, também, por insetos. Patógenos que são disseminados pelos respingos de chuva levados pelo vento, são anualmente responsáveis por epidemias severas, porém localizadas em determinadas áreas de cultivo. Por outro lado, os patógenos presentes no solo e disseminados através do solo, são geralmente incapazes de causar uma epidemia de forma súbita, atingindo extensa área. Devido à disseminação vagarosa, a ocorrência de uma epidemia vai depender do inóculo acumulado no solo. Patógenos transportados por sementes ou material propagativo, como túberas ou bulbos, poderão desencadear uma epidemia, dependendo da quantidade de inóculo lançado no solo por ocasião do plantio.
Efeito do ambiente sobre a interação patógeno-hospedeiro
Após o patógeno se estabelecer no hospedeiro, o ambiente irá também afetar a doença atuando sobre os dois componentes da interação, patógeno e hospedeiro. Do mesmo modo, o ambiente poderá afetar a reprodução do patogeno. Muitos fungos só produzem estruturas de reprodução sob condições de alta umidade relativa do ar e temperatura adequada. O ambiente também exerce efeito sobre a duração do período entre a penetração e a produção de novas estruturas de reprodução do patógeno, cujo período pode ser mais prolongado se as condições de temperatura e umidade forem desfavoráveis à infecção.
O clima representa um dos fatores determinantes da distribuição geográfica dos fitopatógenos, sendo a umidade e temperatura os fatores que governam essa distribuição. A alta umidade é o fator predominante no desenvolvimento de uma epidemia, porque promove o crescimento de tecidos novos e suculentos no hospedeiro, além de aumentar a esporulação do patógeno, permitindo a ocorrência de doenças. Por outro lado, a ausência de umidade, mesmo por alguns dias, pode interromper o ciclo da doença. Algumas doenças, são mais severas em condições secas do que úmidas, como exemplo, as causadas por Fusarium, porém raramente ocorrem de forma epidêmica.
A temperatura também reduz a quantidade de inóculo de fungos, sendo mais comum o seu efeito sobre o patógeno durante as várias fases da patogênese, ou seja, germinação de esporos, penetração e colonização do tecido hospedeiro, reprodução, etc., não completando o patógeno o seu ciclo de vida, em temperatura desfavorável.
Em qualquer região em particular há uma média de temperatura e precipitação para cada estação do ano, determinando o clima daquela região e limitando a localização geográfica, dentro da qual o patógeno pode sobreviver com sucesso.
Há quatro combinações de temperatura e umidade que favorecem um grande número de doenças e seus agentes causais: quente e seco, quente e úmido, frio e seco, frio e úmido (Kenaga, 1974).
O Hospedeiro
O nível de resistência genética ou a suscetibilidade do hospedeiro, como também a uniformidade genética do hospedeiro, desempenham importante papel nas ocorrências de doenças de forma epidêmica. Plantas com alto nível de resistência não permitem o estabelecimento do patógeno e, portanto, impedem o desenvolvimento de doenças, a não ser que haja o surgimento de uma nova raça do patógeno capaz de atacar esse hospedeiro, e que todas as condições do ambiente sejam favoráveis a interação planta-patógeno.
Quando plantas hospedeiras, geneticamente uniformes, principalmente em relação aos genes de resistência à doença, são cultivadas em grandes áreas, existe o grande risco do aparecimento de uma nova raça do patógeno capaz de atacar o genoma daquela espécie hospedeira, resultando numa epidemia. A taxa mais alta de desenvolvimento de epidemias, geralmente ocorre em culturas propagadas vegetativamente e, também, em culturas autopolinizadas, enquanto culturas de polinização cruzada parecem ter uma taxa mais baixa de epidemias (Agrios, 1988).
3. O Patógeno
Dos fatores do patógeno que contribuem para a ocorrência de epidemias, destaca-se o nível de virulência, a quantidade de inóculo no hospedeiro, a velocidade de reprodução e a disseminação eficiente.
O patógeno virulento com capacidade de infectar mais rapidamente a planta hospedeira, garante maior produção de inóculo, do que os patógenos menos virulentos. Portanto, o maior número de propágulos produzidos, alcançando a superfície do hospedeiro, aumenta a chance da ocorrência de uma epidemia.
Os patógenos que têm ciclos curtos de modo a produzir várias gerações numa mesma estação de cultivo da planta hospedeira, servindo esta como fonte de inóculo para outras plantas no mesmo período, são chamados de policíclicos. As doenças causadas por estes patógenos são chamadas de doenças de ciclos secundários ou de "juros compostos". Por outro lado, os patógenos que se reproduzem vagarosamente, de modo a produzir poucos ciclos reprodutivos numa mesma estação de cultivo do hospedeiro, são chamados de patógenos monocíclicos e as doenças causadas por estes patógenos são chamadas de doenças de ciclo primário ou de "juros simples" (Van der Plank 1963). A quantidade de inóculo no campo vai acumulando com o passar do tempo. Ex.: as fusarioses.
Eng. Agrôn., Pós-Doctor, UFRPE. E-mail: menezes@truenet.com.br

terça-feira, 10 de março de 2009

Viróides



•"Viróides são agentes infecciosos consistindo de cadeias simples de RNA.

Viróides: Moléculas de RNA fita simples e circulares que infectam células de plantas. Não produzem proteínas.


•Eles são muito menores e muito mais simples que vírus.
•Viróides usam plantas superiores para reprodução, inserindo-se no núcleo, contudo, não transcrevem nenhuma proteína, roubando-as para formar seu capsídeo de um vírus helper


•Geralmente são transmitidos por sementes ou pólen.
•O mecanismo de fabrico dos viroides é dependente do hospedeiro que infectam. Plantas infectadas podem apresentar crescimento distorcido.
•Cerca de 33 espécies já foram identificadas.


•Até meados do Séc. XX, os vírus eram considerados os representantes mais simples da escala biológica;
•Descoberta dos viróides em 1970 (nova classe de móleculas auto-replicativas – agentes sub-virais);
•Os Viróides “precederam” o mundo atual baseado no DNA e proteínas, sendo considerados fósseis moleculares.

•A simplicidade dos vírions e o fato da molécula do RNA interagir diretamente com os fatores do hospedeiro colocam esse patógeno como modelo para o estudo de processos metabólicos.

•A taxonomia moderna dos viróides divide estes patógenos em duas famílias:
•Avsunviroidae;
•Pospiviroidae.
•Atualmente são aceitas 28 espécies e 8 possíveis novos viróides ainda não se encontram classificados;
•Os critérios para a discriminação das espécies de viróides consideram a similaridade de seqüência menor que 90%, que caracterizam viróides distintos.


•Segundo (Flores, 2005b), quando a similaridade de seqüência de nucleotídeos é superior a 90%, consideram-se variantes de um mesmo viróide.
•Pelo menos uma propriedade biológica diferencial deve ser considerada, como círculo de hospedeiros, modo de transmissão e o fenômeno de proteção cruzada.

PROPRIEDADES DOS VIRÓIDES


•Características gerais
•Os viróides constituem os menores e mais simples fitopatógenos conhecidos;
•Diener (1991), cita os viróides como parasitas moleculares no limiar da vida, pois consistem de uma molécula de RNA fita simples, circular com forte estrutura secundária e desprovidos de proteínas.
•O primeiro viróide (Potato splinde tuber viroid) PSTVd foi identificado e seqüenciado por Gross (1978).

•Viróide da exocorte dos citros (Citrus exocortis viroides, CEVd);
•Nanismo do crisântemo (Crysanthemum stunt viroid, CSVd);
•Do “cadang-cadang” do coqueiro (CCCVd).


Sintomas


•Os sintomas que são induzidos pelos viróides nas plantas hospedeiras são semelhantes aos dos fitovírus, fato este que dificulta o diagnóstico;
•Para uma série de fitomoléstias inicialmente consideradas de etiologia viral, comprovou-se posteriormente que o agente causal era um viróide e não vírus.

•Os sintomas foliares incluem malformações, epinastia,rugosidade e manchas necróticas e/ou cloróticas.
•Causam no caule de plantas lenhosas o encurtamento dos entrenós, descolorações, caneluras e necrose.
•Finalmente, nos frutos e órgãos de reserva causam deformações, descolorações e necrose (Hadidi et al., 2003).

Difusão


•A via principal de difusão de alguns viróides, sobretudo aqueles que afetam plantas lenhosas de interesse econômico, tem sido o intercâmbio internacional de material propagativo infectado.

Transmissão


•Os viróides são facilmente transmitidos mecanicamente, podendo raramente ser transmitidos por pólen e por sementes.
•A transmissão eficiente de viróides por afídeos somente foi relatada para o Tomato planta macho viroide (TPMVd).
•Os viróides também podem ser transmitidos por instrumentos de poda.

Replicação


•Os viróides se propagam nas plantas hospedeiras como populações de seqüências de RNAs similares mas não idênticas, derivadas de mutações devido à ausência de mecanismos de correção nas RNA polimerases.

Interação viróide/hospedeiro
•Como efeito da ausência de proteínas codificadas pelos viróides, parece evidente que estes aparentemente simples RNAs devam interagir com proteínas celulares utilizando-as para mediar diferentes passos no seu ciclo infeccioso

Movimento dos viróides na planta
•Apesar de seu tamanho mínimo, os viróides atuam visando completar seu ciclo infeccioso nas plantas hospedeiras, que além da replicação inclui movimento intracelular (núcleo, cloroplasto, célula-célula e floema).
•Diferentemente dos vírus, que codificam suas próprias proteínas de movimento, os viróides devem interagir com fatores do hospedeiro para que possam ser transportados por toda planta.


Base de consulta

EIRAS, M., DARÒS, J.A., FLORES, R. & KITAJIMA, E.W. Viróides e virusóides: relíquias do mundo de RNA.
Fitopatologia Brasileira 31:229-246. 2006.
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quarta-feira, 4 de março de 2009

Transmissão de vírus vegetais


Os vírus de plantas são transmitidos, na natureza, principalmente por meio de enxertia, insetos vetores e contato membrânico. Existem casos de transmissão pelo grão de pólen por fungos do solo, por nematóides e por ácaros, mas são raros. Entretanto, para fins de considerações que os vírus podem ser disseminados a longas distâncias por meio de sementes (Mosaico Comum do Feijoeiro), Mosaico da Alface, TWV em tomateiro e órgãos de propagação vegetativa (mosaico e raquitismo da cana-de-açúcar, enrolamento da batatinha, etc.)


A transmissão por enxertia é o método mais aplicável, exigindo que o vírus se torne sistêmico. Assim se transmitem, nas condições naturais, por exemplo, os vírus da Tristeza, Exocorte e Xiloporose do Citrus. Experimentalmente, vírus comum a duas espécies vegetais que não se enxertam podem ser transmitidos por enxerto de Cuscuta sp., fanerógamo parasita.


A transmissão mecânica, muito utilizada em estudos de inoculação artificial, é um método muito importante para vírus como o TWV e o Mosaico das Cucurbitáceas que pelo simples contato do lavrador com uma planta doente com uma sadia pode transmitir o vírus.


A transmissão de vírus vegetais por insetos vetores é o método mais comum na natureza. Dentre os insetos vetores os Afídeos constituem o grupo mais numeroso, sendo responsável pela transmissão de mais ou menos 90 vírus diferentes. Dentre os afídeos sabe-se que o Myzus persicae é transmissor de mais de 50 vírus diferentes.


Há determinados vírus que são transmitidos por vários insetos, como por exemplo o vírus do mosaico do pepino que é transmitido por algumas dezenas de insetos. Também existem vírus transmissíveis por apenas um inseto, como no caso do vírus da beterraba açucareira transmitida por Circulifer tenellus. Os trips se caracterizam por transmitir somente uma espécie de vírus de planta, como, por exemplo, no caso de Frankliniella paucispinosa que transmite somente o vírus do vira-cabeça.
A transmissão do vírus pelos insetos pode Ter um caráter persistentes ou não persistentes. Diz-se que o vírus é persistente quando, após um longo período mínimo de alimentação em plantas doentes, para aquisição e após um longo período de retenção no inseto, geralmente por toda a vida. Por exemplo, vírus do enrolamento das folhas da batatinha se multiplica com maior eficiência no inseto vetor Myzus persicae com maior período de alimentação; apresenta um período latente de 24 horas e, o pulgão guarda o vírus não persistentes são adquiridos pelo vetor num curto período de alimentação (10 horas no máximo) e são retidos por um período máximo de 24 horas. Por exemplo, o vírus do mosaico da beterraba é adquirido por Myzus persicae em 2 horas e é retido por apenas 3 horas.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

VÍRUS: ASPECTOS GERAIS












1.CONCEITO:
Conjunto formado por uma ou mais moléculas de ácido nucléico genômico, normalmente envolto por uma capa ou capas protetora(s) de proteína ou lipoproteína, o qual é capaz de mediar sua própria replicação somente no interior das células hospedeiras apropriadas Matthews (1992).
2. CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS VÍRUS DE PLANTAS
Parasitas obrigatórios.
Presença de um só tipo de ácido nucléico, RNA ou DNA.
Incapacidade de crescer e se dividir autonomamente.
Dependem da célula hospedeira para replicação.
Dependem da célula hospedeira para executar funções vitais.
Replicação somente a partir de seu próprio material genético.
Ausência de informação para produção de enzimas do ciclo energético.
Ausência de informação para síntese de RNA de transferência e ribossômico.
Características distintivas
Tipo de material genético (DNA ou RNA)
Tamanho e Forma
Natureza do envoltório (com ou sem envelope)
Genoma muito simples
3. COMPONENTES ESTRUTURAIS DOS VÍRUS
Genoma: conjunto de informações genéticas de um vírus, codificado pelo ácido nucléico.
Capsídeo: capa protéica que envolve o genoma viral, formada por subunidades de proteína.
Capsômero: subunidades do capsídeo.
Nucleocapsídeo: conjunto formado pelo genoma mais capsídeo.
Envelope: membrana que envolve o nucleocapsídeo em alguns tipos de vírus.
Vírion: estrutura viral completa.
4. COMPONENTES QUÍMICOS DOS VÍRUS VEGETAIS
Ácidos Nucléicos
Proteínas
Lipídeos
Carboidratos
Estrutura Básica dos vírus
Vírion = partícula viral completa e infecciosa
Capsídeo
Ácido Nucléico
Matriz Protéica

Forma relativa, tamanho e estrutura de alguns vírus de plantas representativos. A) vírus na forma de bastonete flexuoso; B) vírus na forma de bastonete rígido; B-1) vírus na forma de bastonete flexuoso, mostrando subunidades de proteínas [PS] e ácido nucléico [NA]; B-2) seção transversal do vírus na forma de bastonete flexuoso, mostrando o canal central [HC]; C) vírus na forma baciliforme com envelope; C-1) seção transversal vírus na forma baciliforme com envelope; D) vírus na forma poliédrica; D-1) icosaedro, representando a simetria de 20 lados que são arranjadas as subunidades de proteína do vírus poliédrico; E) vírus na forma poliédrica com duas partículas iguais seminadas [adaptado de Agrios (1997)].
6. CLASSIFICAÇÃO E NOMENCLATURA DOS VÍRUS
n6.1. Classificação
● Tipo de ácido nucléico (DNA ou RNA);
● Número de fitas de ácido nucléico (monocatenário ou bicatenário);
● Peso percentual do ácido nucléico em relação à partícula;
● Peso molecular, tamanho e forma da partícula (isométrica, alongada e baciliforme);
● Presença ou ausência de envelope características físicas, químicas, biológicas e antigênicas da partícula;
● Gama de hospedeiros; forma de transmissão.
n6.2. Nomenclatura
São denominados pelo tipo de doença ou sintomatologia apresentada pelo hospedeiro.