quarta-feira, 15 de dezembro de 2010




UMA VISÃO COMPARATIVA DA QUALIDADE PÓS-COLHEITA DE FRUTOS DE MAMOEIRO, NO MERCADO DO PIRAJÁ EM JUAZEIRO DO NORTE, CEARÁ E NAS FEIRAS LIVRES DA CIDADE DE PETROLINA-PE.



Maria Andreia Rodrigues de Moura¹; Joaquim Torres Filho²

¹Aluna do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri:e-mail: andreiamoura.kd@bol.com.br

² Orientador: Professor Adjunto do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri: joaquim.torres@ufc.br


RESUMO

O referido trabalho foi realizado no mercado do Pirajá na cidade de Juazeiro do Norte- Ce e nas feiras livres da Petrolina-Pe, nos meses de junho e julho de 2010. Este teve por objetivo realizar uma visão comparativa da qualidade pós-colheita dos frutos de mamoeiro. As coletas de frutos de mamão foram realizadas com base nos sintomas exibidos. As amostras foram colocadas individualmente em sacos plásticos, os quais continham ficha de identificação com os seguintes dados: local, data da coleta e tipo de sintoma. Com base na sintomatologia observada e na revisão bibliográficas identificamos as doenças e suas possíveis causas. Foram constatadas as seguintes doenças nos matérias coletados no mercado público do Pirajá em juazeiro do Norte: Meleira (Papaya meleira vírus, PMeV), Vírus da mancha anelar do mamoeiro (“Papaya ringspot virus - type P” - PRSV-P), Antracnose do mamoeiro (Colletotrichum gloeosporioides), Varíola ou pinta preta do mamoeiro (Asperisporium caricae). Nas feiras livres da cidade de Petrolina – PE foi relatada com maior ocorrência apenas a antracnose do mamoeiro (Colletotrichum gloeosporioides).

Palavras-chave: Papaya; Fitopatologia; Perdas.

Introdução

O Brasil é o maior produtor de mamão. Apresenta uma área plantada de 35 mil hectares e uma produção de, cerca de 840 milhões de frutas (TODA FRUTA, 2003).

O cultivo irrigado de frutas na região do Cariri ainda é incipiente, tanto em área plantada, quanto na utilização de tecnologias modernas de cultivo (BNB, 2001). Ao contrário, o Vale do Sub-Médio São Francisco se destaca pela tecnologia na agricultura irrigada mais especificamente a fruticultura irrigada. A Cidade se sobressai frente às condições adversas do semiárido, gerando empregos e renda na região, além de demonstrar a eficácia de alternativas econômicas para o Nordeste. Os efeitos de oito meses de estiagem durante o ano são mitigados pelo uso da irrigação, que proporciona as condições ideais para a produção do mamoeiro (UFBA, 2008).

A cultura do mamoeiro se destaca no cenário do agronegócio cearense e pernambucano como uma das mais importantes do ponto de vista econômico. O cultivo dessa fruteira se constitui em um verdadeiro desafio para o produtor rural, tendo em vista a ocorrência de fitomoléstias causadas por fungos, vírus e nematóides, que podem se tornar um fator limitante à produção, além dos danos pós-colheita os quais o fruto está totalmente suscetível quando mal acondicionado.

Considerando as exigências dos consumidores, o aspecto visual do fruto é de suma importância. Esse aspecto é colocado em risco quando o transporte com o fruto se torna inadequado. A principal causa de perdas pós-colheita de mamão está relacionada à ocorrência de injúrias mecânicas, que induzem aumento da taxa respiratória e consequente redução da vida pós-colheita do fruto (MOHSENIN apud SANTOS et al, 2008).

As perdas fitopatológicas quantitativas também causam prejuízos à cultura do mamoeiro. Estas perdas resultam do rápido ataque dos patógenos ao tecido sadio, com quebra extensiva e usualmente completa dos tecidos do hospedeiro. Estas perdas resultam do defeito ou doenças da superfície que torna o produto menos atrativo e, portanto, menos comercializável, embora a destruição real do produto tenha sido pequena (CHITARRA, 2005).

O objetivo do presente trabalho foi realizar uma visão comparativa da qualidade pós-colheita de frutos de mamoeiro, no mercado do Pirajá em Juazeiro do Norte, Ceará e nas feiras livres da cidade de Petrolina-Pe.

Material e métodos

O trabalho foi realizado no mercado do Pirajá, maior centro de comercialização de frutas no município de Juazeiro do Norte e nas feiras livres da cidade de Petrolina, nos meses de junho e junho de 2010. As coletas de frutos de mamão foram realizadas com base nos sintomas exibidos. As amostras foram colocadas individualmente em sacos plásticos, os quais continham ficha de identificação com os seguintes dados: local e data da coleta e tipo de sintoma. Em seguida os frutos colhidos no mercado do Pirajá foram levados para o Laboratório de Biologia da Universidade Federal do Ceará no Campus Cariri.

Os frutos para amostra na cidade de Petrolina foram coletados no estádio 3 de maturação, ou seja com até 50% da superfície amarela . Por esse motivo fez-se necessário deixá-los expostos por um período de 5 dias em temperatura ambiente a fim de se observar injurias pós-colheita e sintoma fitopatológicos de doenças.

Com base na sintomatologia observada e na revisão bibliográfica identificamos as doenças e suas possíveis causas. As doenças ocasionadas por vírus foram identificadas levando-se em consideração os sintomas exibidos.

Resultados e discussão

De acordo com a identificação dos sintomas e as análises fitopatológicas realizadas foram constatadas as seguintes doenças nos frutos coletados no mercado público do Pirajá em Juazeiro do Norte: Meleira, anomalia caracterizada por intensa exsudação de látex dos frutos cujo agente causal é o Vírus da meleira do mamoeiro (Papaya meleira vírus, PMeV), Vírus da mancha anelar do mamoeiro (“Papaya ringspot virus - type P” - PRSV-P), Antracnose do mamoeiro (Colletotrichum gloeosporioides), Varíola ou pinta preta do mamoeiro (Asperisporium caricae).

De acordo com as observações e conversas com os feirantes no mercado do Pirajá, pode-se constatar que a grande maioria dos frutos de mamão, vendidos no referido mercado, são procedentes de outros estados como Pernambuco e Bahia. Segundo os feirantes os frutos chegam em caixas plásticas, enrolados com jornais,ou a granel, e passam até 6h em cima de caminhões chegando ao mercado nos mais distintos estádios fisiológicos. Os efeitos das injúrias mecânicas aceleram os processos relacionados ao amadurecimento, dentre eles, a evolução da cor da casca de mamões (BRAGA, 2004).

Estudo realizado por Santos et al. (2008) mostrou que o transporte de mamões Formosa a granel, muito comum em algumas regiões do país, promove alterações na sua qualidade pós-colheita, com aumento do índice de cor da casca, redução na firmeza da polpa, elevada perda de massa fresca, aumento da taxa respiratória e maiores percentagens de área da casca injuriada. Reforça ainda mais esse quadro caótico de comercialização de frutos com muitas doenças pós-colheita as observações de CHITARRA (2005): Estas perdas resultam do defeito ou doenças da superfície que torna o produto menos atrativo e, portanto, menos comercializável, embora a destruição real do produto tenha sido pequena.

O mamão, por ser um fruto altamente perecível, pode apresentar um alto nível de perda na fase pós-colheita, sendo este, atribuído principalmente a injúrias mecânicas, provenientes de atrito e/ ou compressão, que ocorrem devido ao manuseio inadequado dos frutos, como também devido ao transporte destes (TODA FRUTA, 2003). Os danos físicos dos frutos são excelente porta de entrada para fitopatógenos causadores de doenças.

Nas feiras livres da cidade de Petrolina – PE foi relatada com maior ocorrência apenas a antracnose do mamoeiro (Colletotrichum gloeosporioides). Isso se deve ao fato que os frutos revendidos na referida cidade são comercializados no estadio 3 de maturação, ou seja, com até 50% da epicarpo amarelo. Vale salientar que o mamão vendido nas feiras livres de Petrolina é todo produzido na própria cidade, o que facilita a colheita no estádio desejado de maturação, além de proporcionar um escoamento mais rápido dos frutos as feiras livres da cidade. Os frutos “verdes” (menos maduros) quando danificados mecanicamente podem não apresentar sintomas de “maus tratos”, mas com o avanço em seu grau de amadurecimento, certamente desenvolverão tais sintomas.

Segundo Santos (2008) a determinação do ponto de colheita é um aspecto de fundamental importância na qualidade das frutas, sendo estabelecido em função do meio de transporte e da distância do mercado.

Com ataque de microrganismos ocorre redução da qualidade e da vida de prateleira dos produtos hortícolas, resultando em defeitos ou doenças superficiais ou com destruição dos tecidos, o que torna o produto menos atrativo ou não comercializável. Esses danos são particularmente indesejáveis em frutas e hortaliças destinadas ao consumo in natura, no qual se dá ênfase especial à qualidade visual do produto (CHITARRA, 2005).

Conclusão

1. O manuseio adequado é essencial desde a colheita até a fase de comercialização do fruto e isso evitaria muitos problemas de injúrias e doenças;

2. O inadequado acondicionamento para o transporte de mamões promove alterações na sua qualidade pós-colheita, fato este verificado em Juazeiro do Norte;

3. O estádio de maturação o qual o fruto do mamão é colhido é um fator limitante para qualidade pós-colheita do mesmo, principalmente se o transporte for à longa distância.



Referências

BNB – Banco do Nordeste do Brasil. Documento Referencial do pólo de desenvolvimento integrado. Disponível em: . Acesso em: 18 set. 2009.

CHITARRA, M. I. F.; CHITARRA, A. B. Pós-colheita de frutas e hortaliças: fisiologia e manuseio. 2. ed. rev. e ampl. Lavras: UFLA, 2005. 174; 785 p.

UFBA – Universidade Federal da Bahia. Cultivo do mamoeiro no semiárido. Disponível em: < www.mesteco.ufba.br/scripts/arquivos/1742009213229.pdf>. Acesso em: o7 jun. 2010.

SANTOS, C.E.M.; COUTO, F.A.A’A.; SALOMÃO, L.C.C.; CECON, P.R.; JÚNIOR, A.W.; BRUCKNER, C.H. Comportamento pós-colheita de mamões Formosa 'Tainung 01' acondicionados em diferentes embalagens para o transporte. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 30, n. 2, Jaboticabal, jun, 2008.

Toda Fruta. Informe sobre a produção de mamão. Disponível em: http://www.todafruta.com.br/portal/icNoticiaAberta.asp?idNoticia=41152003. Acesso em: 10 de julho de 2010.

BRAGA, L. R. Características químicas e físicas de mamões do grupo ‘Solo’ submetidos a diferentes injúrias mecânicas. 2004. 46p. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2004.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

RISCOS E DANOS NA APLICAÇÃO DE AGROTÓXICOS NA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE JARDIM - CE

Joaquim Torres Filho [1]; Hernandes Rufino dos Santos [2].

[1] Professor adjunto do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri. e-mail: joaquim.torres@ufc.br

[2] Aluno do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri.– e-mail: hernandesufc@yahoo.com.br


Resumo

O uso de agrotóxicos na agricultura familiar é contraproducente e preocupante. Os agrotóxicos são usados em larga escala em grandes e pequenas áreas de todo o Brasil. O desconhecimento de qualquer informação sobre seu uso mostra a vulnerabilidade dos produtores rurais a qualquer tipo de pesticida. O trabalho foi conduzido no distrito de Novo Horizonte no município de Jardim - CE com agricultores familiares que utilizam agrotóxicos em seus plantios. Foram realizadas vinte entrevistas no período de junho a julho de 2010. Foi aplicado um questionário com perguntas sobre a cultura plantada, aquisição, preparo e aplicação de agrotóxicos. Quando questionados se recebem orientação para o uso racional de agrotóxicos, foi unanimidade o não, representando todos os entrevistados. Não existe treinamento e muito menos recomendação para uso e manuseio de agrotóxicos. Sabendo-se que é muito comum o uso de calendário para aplicação de agrotóxicos, perguntou-se se eles aplicam de maneira preventiva: (92,30%) responderam que não e (7,70%) positivamente. Quanto a confiabilidade dos resultados obtidos pela aplicação dos agrotóxicos, todos foram unânimes em afirmar que sim, muito embora não tenham parâmetros para afirmar tal assertiva. Verifica-se uma situação de grande risco para aplicadores e para o meio ambiente, pela ausência de orientação, muito menos capacitação técnica. Não existe fiscalização sobre a emissão de receituário agronômico, muito menos fiscalização de órgãos competentes.



Palavras-chave: Agroquímicos; Diagnóstico; Risco.



Introdução

O processo de modernização tecnológica iniciado nos anos 50 com a chamada “Revolução Verde” (BRUM, 1988), alterou significativamente as práticas agrícolas, gerando mudanças ambientais, tanto na carga de trabalho e nos seus efeitos sobre a saúde, deixando os trabalhadores rurais expostos a riscos muito diversificados.

A cultura da aplicação de agrotóxicos é avassaladora e na maioria dos casos por falta de uma consciência maior de todos os atores da cadeia de produtos da agricultura familiar, contribui para o desequilíbrio biológico e ainda para a situação de risco da saúde do agricultor e dos consumidores. A partir dos anos 60, em vários países latinoamericanos, incluindo o Brasil, os agrotóxicos passam a ser amplamente difundidos como parte fundamental da agricultura moderna, cuja meta era o aumento da produção e da produtividade das atividades agropecuárias, a chamada “revolução verde” (BULL e HATTAWAY, 1986).

O Brasil é o terceiro mercado e o oitavo maior consumidor de agrotóxicos por hectare no mundo, sendo os herbicidas e inseticidas responsáveis por 60% dos produtos comercializados no país (FAIRBANKS, 2001). Por um lado, a febre de consumo de agrotóxicos é uma realidade em quase todas as regiões do país, como se fossem capazes de resolver tudo, por outro, a população demanda cada vez mais por alimentos isentos desses produtos.

Estima-se que dois terços da população do país estão expostos, em diferentes níveis, aos efeitos nocivos desses agentes químicos, seja em função do consumo de alimentos contaminados, do uso de agrotóxicos para o combate de vetores de doenças infecto-contagiosas ou pela atividade laboral. Mas nenhum grupo populacional brasileiro é tão vulnerável a esses produtos quanto os trabalhadores rurais (PERES, 2003). Este fato é uma realidade, pois a grande maioria dos trabalhadores rurais ao utilizar agrotóxicos não usa equipamentos de proteção individual e não tem cuidado com o manejo e a aplicação dos produtos.

Ao deparar-se frente a um determinado perigo, advindo do processo de trabalho, um agricultor responde de acordo com as suas crenças, experiências, imagens e informações construídas ao longo de sua trajetória de vida. A percepção do perigo é fruto da associação de todos estes determinantes com o cenário em que se encontra no momento (WIEDEMANN, 1993). Segundo ainda este mesmo autor, um fato que chama a atenção é a “percepção de riscos”, qual seja, a “habilidade de interpretar uma situação de potencial dano à saúde ou à vida da pessoa, ou de terceiros, baseada em experiências anteriores e sua extrapolação para um momento futuro, habilidade esta que varia de uma vaga opinião a uma firme convicção”.

Irregularidades na prescrição e aplicação de agrotóxicos são muitas e em que pese a existência de órgãos fiscalizadores, uma ação efetiva que vá desde a capacitação do trabalhador até boas práticas de manejo da cultura ainda não constitui o foco das atenções. Vendas de produtos sem o receituário agronômico, falta de respeito ao período de carência (intervalo entre a última aplicação e o período de colheita), não usar equipamentos de proteção individual e descarte de embalagens usadas, são alguns exemplos de como os problemas são preocupantes.

IGBEDIOH (1991), relata que a exposição aos agrotóxicos por longo tempo em homens, plantas e animais tem efeitos nocivos e indesejáveis. Aponta como medidas para redução de riscos na sua utilização: a educação e treinamento dos agricultores, a regulação da propaganda, a limitação do uso de substâncias altamente tóxicas, o monitoramento da população mais exposta ao agrotóxico e a inspeção dos produtos nas lojas de venda e no campo. Esta é uma proposta lógica e que deve ser acompanhada de um amplo programa de esclarecimento, pois principalmente no tocante a utilização de agrotóxicos, deve ser levada em conta a necessidade de aplicação, a segurança do trabalhador rural e sua família e a saúde do consumidor.

Segundo TRAPÉ (1993), ocorreram no mundo cerca de três milhões de intoxicações agudas por agrotóxicos, com 220 mil mortes por ano. Destas, cerca de 70% se dão em países do chamado Terceiro Mundo. Além da intoxicação dos trabalhadores que têm contato direto ou indireto com esses produtos, a contaminação de alimentos tem causado intoxicações e mortes.

No Brasil e em particular em Pernambuco, não existe um efetivo sistema de monitoramento dos agrotóxicos, quer do efeito no meio ambiente, quer na saúde dos trabalhadores rurais. De forma geral, falta informação, orientação técnica e educação para os trabalhadores e produtores rurais com relação à saúde, agricultura, trabalho e ambiente (SILVA et al, 2000).



Material e Métodos

O trabalho foi conduzido no município de Jardim-Ce, no distrito de Novo Horizonte (antiga cacimba), com agricultores familiares que utilizam agrotóxicos em seus plantios. A pesquisa de campo (fase exploratória) compreendeu o diagnóstico inicial da situação local, baseado em observação participante de características do ambiente, relações sociais, processos de trabalho e relações de poder em nível local, entre outros aspectos.

A metodologia utilizada para a pesquisa foi de caráter qualitativo e quantitativo. A combinação dessas metodologias permitiu a investigação das práticas de uso dos agrotóxicos, e de impactos causados na saúde do trabalhador e no ambiente. O instrumento de coleta de informação foi através de entrevista semi-estruturada. A entrevista semi-estruturada foi aplicada aos agricultores através de questionários, os quais foram aplicados no campo, e divididos em dois segmentos para compreensão do objeto de estudo. No primeiro segmento, tabularam-se dados sobre o perfil socioeconômico-ambiental dos entrevistados e as suas práticas de uso dos agrotóxicos; no segundo segmento, mais qualitativo, investigou- se a percepção de riscos no tocante à utilização dos mesmos. Foram realizadas vinte entrevistas no período referente a junho a julho de 2010.

Resultados e Discussão

Em sua totalidade, os agricultores entrevistados cultivam milho, feijão caupi, mandioca e mamona. No tocante a ATER por parte da Ematerce, apenas 15,38% dos agricultores recebem assistência do órgão estadual de extensão. Este fato por si só, já é um fator bastante negativo no que diz respeito a uma utilização mais racional de agrotóxicos nos plantios existentes, pois de acordo com essa situação, muitos são os problemas que ocorrem em campo. Com base nos resultados obtidos, evidencia-se que os trabalhadores da região investigada, assim como alguns técnicos com estes envolvidos, não levam em conta uma importante fonte de contaminação ambiental, no que diz respeito aos mananciais de água na região.

No que diz respeito ao sindicato dos trabalhadores rurais, (92,30%) são associados, no entanto o sindicato pouco ajuda na questão do uso indiscriminado de agrotóxico. Não existe a mínima orientação no que diz respeito ao uso de agrotóxico, nem muito menos de meios alternativos de prevenção de doenças e pragas. Segundo resposta às indagações, não existe mistura de agrotóxicos e muito menos aplicação preventiva. TUCKER & NAPIER (2001), afirmam que pelo fato de os pequenos produtores rurais determinarem o tipo de proteção química usada em seus sistemas de produção, eles costumam enxergar o uso de agrotóxicos como voluntário e familiar (no sentido de ser comum ao seu cotidiano), especialmente devido à extensa experiência que adquiriram ao longos dos anos com o intenso e massivo uso desses produtos.

Quanto à confiabilidade dos resultados obtidos pela aplicação dos agrotóxicos, todos foram unânimes em afirmar têm confiança no produto, muito embora não tenham parâmetros para afirmar tal assertiva. A aquisição dos agrotóxicos é feita em revendas agropecuárias (100%), sem utilização do receituário agronômico (100%) e a maioria (92,30%) é recomendado pelos vendedores e o restante (7,70%) indicado por técnicos do sistema de extensão rural. Quando perguntados se quem vende os agrotóxicos são agrônomos, responderam que (69,23%) não sabe e (30,76%) são agrônomos. Segundo as respostas obtidas, os agricultores não entendem as recomendações do produto e de um modo geral, nenhum deles utiliza equipamento de proteção individual, colocando em risco a própria vida. O resultado é que (100%) preparam as caldas sem nenhuma segurança, pondo em risco a própria vida. Os agricultores reconhecem que a aplicação de agrotóxico é uma atividade perigosa, embora desconheçam os limites deste risco em função da invisibilidade do problema.

Quanto à freqüência de aplicação, responderam que: (30,76%) realizam uma aplicação no ciclo da cultura do feijão, (46,15%) duas vezes, (15,38%) três vezes e o restante quatro vezes. Todos foram unânimes em afirmar que não sabem o que é o período de carência de um produto e que preparam as caldas no próprio pulverizador e que as roupas são lavadas em casa junto com as outras.

Conclusões

Com base nos resultados obtidos, verifica-se uma situação de grande risco para aplicadores e para o meio ambiente, pois não existe orientação, muito menos capacitação técnica para os agricultores e o desconhecimento sobre a realidade do uso de agrotóxicos é a regra, quadro esse não muito diferente de outras regiões do Estado do Ceará. Não existe fiscalização sobre a emissão de receituário agronômico, muito menos fiscalização de órgãos competentes.

O uso freqüente de agrotóxicos por parte desses agricultores reforça a necessidade de pesquisas que aprofundem metodologias para avaliar se realmente se faz necessária a aplicação destes produtos, bem como avaliar com maior precisão a exposição aos agrotóxicos e os riscos associados a estes produtos

Sugere-se, a partir dos dados obtidos, a implantação de um programa integrado de avaliação e controle de agrotóxicos na região, tornando mais ágeis e objetivas as estratégias de intervenção que, conduzam a produção de alimentos sem utilização de tais produtos.



Referências Bibliográficas



BRUM, A. J., 1988. Modernização da Agricultura de Trigo e Soja. Petrópolis: Editora Vozes.

Fairbanks M. Defensivos agrícolas ampliam o mercado. Revista Química e Derivados 2001; 396: 398-403.

Igbedioh SO 1991. Effects of agricultural pesticides on humans, animal and higher plants in developing countries. Archives of Environmental Health 46(4): 218-223.

Peres F, Moreira JC. É veneno ou é remédio? Agrotóxicos, saúde e ambiente. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; 2003.

Wiedemann PM. Introduction risk perception and risk communication. Jülich: Programme Group Humans; Environment, Technology (MUT), Research Centre Jülich; 1993. (Arbeiten zur Risko- Kommunikation 38).

Trapé AZ 1993. O caso dos agrotóxicos, pp. 565-593. In Rocha et al. Isto é trabalho de gente? Vida, doença e trabalho no Brasil. Ed. Vozes, Petrópolis.

Tucker M, Napier TL. Determinants of perceived agricultural chemical risk in three watersheds in

the Midwestern United States. J Rural Stud 2001; 17:219-33

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Ciclo das relações patógeno - hospedeiro.

1. Virulência é a medida da patogenicidade. Três fatores concorrem para tal medida. Portanto ela é resultante de três forças componentes. Quais são essas forças?


2. No texto abaixo descrito, indique o que está errado e corrija-o: Em determinadas lesões de origem infecciosa a saprogênese e a patogênese podem ocorrer paralela e simultaneamente. A primeira nos bordos, nos limites entre os tecidos lesados e sadios, dando curso ao processo de expansão infecciosa, e a segunda na parte central, ocupada por tecidos já necrosados, em processo de decomposição.

3. No tocante a saprogênese responda: A saprogênese faz parte do ciclo dos patógenos que se comportam como parasitas obrigatórios?

4. Do ponto de vista da avaliação da severidade da doença, você acredita que os efeitos dos ciclos secundários tendem a uma expressão maior de grandeza em relação àqueles do ciclo primário? Explique e justifique.

5. Os ectoparasitas emitem para o interior do hospedeiro estruturas especiais de sugação ou exploração, ao tempo em que se desenvolve superficialmente. Fungos do gênero dos oídios emitem que estrutura? E os nematóides ectoparasitas?

6.Na colonização, o patógeno passa a nutrir-se do hospedeiro. Na exploração, que é o processo mais comum e que culmina com o desencadeamento de efeitos necróticos, o patógeno consome os tecidos do hospedeiro. E na modalidade de espoliação?

7. Quanto a modalidade de colonização segundo a localização, pode-se distinguir dois critérios: localizada e generalizada. Classifique os patógenos a seguir conforme a modalidade de colonização segundo a localização: Ralstonia solanacearum, Tobacco mosaic virus, Colletotrichium gloeosporioides e Alternaria solani.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Epidemiologia em questões

Vanderplank (1963) conceituou epidemiologia como “a ciência da doença em populações.” Por sua vez, Kranz (1974) disse que: “epidemiologia é o estudo de populações de patógenos em populações de hospedeiros e da doença resultante desta interação, sob influência do ambiente e a interferência humana”.


1. Fazer uma representação gráfica de uma epidemiologia em patossistema selvagem e outra de um patossistema agrícola.

2. “Uma doença infecciosa pode se manter unicamente por meio de contínuas reinfecções baseadas na cadeia de infecção. Por cadeia de infecção entende-se a transmissão contínua, seriada, de material infetivo de uma planta para outra” (Gäumann, 1950). Explique e forneça um exemplo prático.

3. Desenhe e explique o Diagrama esquemático proposto por Agrios (1997)  para um potossistema agrícola.


4. Explique o modelo analógico de Fergies para o patossistema temperado e compare com o patossistema tropical.

5. Duas condições básicas para o aparecimento de uma epidemia dependem do próprio hospedeiro, quais sejam: população numerosa e plantas suscetíveis. Com base nestas condições forneça um exemplo prático de como uma simples doença se transforma em uma epidemia.

6. Conceitue: a) uma epidemia explosiva; b) epidemia tardívaga; c) epidemia poliética.

7. Comparando algumas características epidemiológicas das regiões tropicais-subtropicais e temperadas, podemos dizer que no caso da primeira: a) o inóculo inicial é: ( ) alto; ( ) baixo; b) o período infeccioso e o número de esporos é: ( ) um pico; ( ) intermitente.

8. O que é um patossistema?

9. Explique o modelo analógico proposto por Fegies para epidemiologia em patossistema temperado.


10. Afirma-se que epidemia, refere-se a um aumento na incidência-severidade e/ou um aumento na área geográfica ocupada pela doença. Os termos incidência e severidade relacionam-se respectivamente a: a) extensão e intensidade; b) intensidade e extensão; c) nada disso.

11. Epidemia não é o oposto de endemia. Explique e justifique.

12. O que é um surto epidêmico. Exemplifique.

13. A epidemiologia possui uma face acadêmica e uma aplicada, porém a face aplicada tem sido ignorada por grande parte de fitopatologistas. Tudo leva crer que a falta de uma visão holística seja a razão maior dessa situação. Como uma visão holística contribuiria para melhorar a face aplicada da epidemiologia?

14. Qual a diferença de um fitopatossistema ou patossistema vegetal para um patossistema selvagem?

15. O que é doença de juros simples e doenças de juros compostos? Forneça exemplos.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DANOS, INJÚRIAS E DOENÇAS PÓS-COLHEITA DE FRUTOS DE MARACUJÁ COMERCIALIZADOS NO MERCADO PÚBLICO DE BARBALHA-CE





Rosenya Michely Cintra Filgueiras¹; Tamires Coelho Matias¹; Joaquim Torres Filho²


¹Aluna do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri: e-mail: rosenya_michelycf@hotmail.com

¹Aluna do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri: e-mail: tamires.coelho@hotmail.com

²Orientador: Professor adjunto do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri: joaquim.torres@ufc.br



RESUMO



O presente trabalho foi realizado através de visitas semanais ao mercado público da cidade de Barbalha, as quais ocorreram durante o período de Maio a Julho de 2010. Este teve por objetivo a realização de inspeção relacionada aos aspectos qualitativos do fruto do maracujá, bem como, a ocorrência de danos, injúrias e doenças. Registrou-se através de fotos digitais, danos, injúrias e doenças que ocorreram. Foram aplicados questionários aos comerciantes locais, com o intuito de saber a origem dos frutos, e a rentabilidade em função da comercialização. Observou-se na pesquisa que de 13 barracas analisadas 9 apresentavam frutos de má qualidade, equivalente a um índice de 69,23%. Dentro dessa porcentagem 68% estão relacionados a doenças de pós-colheita, as quais ocorrem basicamente nas etapas de colheita, transporte e mais especificamente na fase de armazenamento. Dentre as várias doenças identificadas em pós-colheita do maracujá-amarelo, a mais importante é a antracnose, causada por Colletotrichum gloeosporioides Pens. Observou-se também, porém, em menor quantidade a incidência de verrugose (Cladosporium herbarum) e bacteriose (Xanthomonas campestris pv. passiflorae). Os outros 32% são provenientes de danos (redução qualitativa ou quantitativa da produção, que pode ou não causar perdas) e injúrias (sintomas visíveis e/ou mensuráveis ocasionados por um agente biótico ou abiótico). Com base nas observações detectadas, conclui-se que melhorias nos processos de colheita, transporte, armazenamento e na exposição dos frutos sob condições adequadas de temperatura e na conscientização dos feirantes em relação aos cuidados no manuseio e armazenamento da fruta são essenciais para diminuir os prejuízos.



Palavras-chave: Perdas; Qualidade; Fitomoléstia.



INTRODUÇÃO



O maracujá é originário da América Tropical, com mais de 150 espécies nativas do Brasil. Devido as suas propriedades terapêuticas, tem valor medicinal: as folhas e o suco contêm passiflorina, um sedativo natural e o chá preparado com as folhas têm efeito diurético. Possui valor ornamental, devido as suas belas flores. Seu uso principal, no entanto, está na alimentação humana, na forma de sucos, doces, geléias, sorvetes e licores. É rico em vitamina C, cálcio e fósforo. O Brasil é o maior produtor mundial de maracujá, tendo a área evoluída de 33.487 ha, em 1994, para 44.462 ha, em 1996. A produção em 2004 superou, em 20,1%, aquela observada em 1994. Considerando-se que a área aumentou apenas 9,2%, isso indica uma evolução industrial na produtividade. De fato a produtividade oscilou de 11,34 t/ha, em 1994, para 9,21 t/ha, em 1996, alcançando 13,47 t/ha, em 2002, e 13,44 t/ha em 2004.

A demanda crescente por alimentos saudáveis, produzidos sem agressões ao meio ambiente, valorizando a diversidade biológica e sem o uso de adubos químicos e agrotóxicos, é uma tendência que favorece a criação de novas oportunidades, principalmente aos pequenos produtores rurais. O sistema de cultivo orgânico do maracujazeiro-amarelo (Passiflora edulis Sims f. flavicarpa Deg.) vem sendo adotado por produtores de vários Estados, como São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro; há, entretanto, deficiência de informações científicas sobre o cultivo orgânico da cultura, pois elas enfocam, em sua maioria, informações sobre o cultivo orgânico em geral, de hortaliças e café (SILVA et al., 2005; TODA FRUTA, 2005).

Após a colheita, a suscetibilidade do maracujá às podridões é elevada, com ocorrência significativa de perda de massa fresca e fermentação da polpa. Sob condições normais de temperatura ambiente, pode ser conservado por sete a dez dias (ARJONA et al., 1992). O reduzido tempo de vida útil após a colheita, associado ao curto período de colheita, condiciona a oferta e os preços no mercado (CETEC, 1985).

A perecibilidade, característica dos produtos agrícolas in natura, é fator determinante nas estratégias mercadológicas, fator agravado pela problemática de estocagem, por ser a maior parte da produção de frutas no Brasil obtida por pequenos agricultores. A perecibilidade, no entanto, pode ser contornada dentro de certos limites, dependendo de acertos estratégicos entre agricultores e indústria. Assim sendo, a organização da cadeia produtiva, o aumento de produtividade e a busca por vantagens nos termos de troca relativos aos preços e aos custos são os procedimentos racionais para a otimização da renda.

A caracterização de danos pós-colheita visa a facilitar a tomada de decisão por parte do produtor, do atacadista e do varejista quanto à necessidade de investimento em medidas de prevenção, pois só é possível avaliar se a adoção de uma medida de controle será lucrativa ou não, após quantificar os danos causados por determinado patógeno (BARITELLE & GARDNER, 1984).

O objetivo desse trabalho foi avaliar danos, injúrias e doenças pós-colheita de frutos de maracujá que ocorrem no mercado público de Barbalha, levando em consideração a qualidade, a forma como são manuseados e a rentabilidade fornecida devido a tais condições. Com base nos resultados dos questionários aplicados, informações importantes foram colhidas para subsidiar a análise do atual contexto de comercialização.



MATERIAL E MÉTODOS



O trabalho foi conduzido durante o período de Maio a Julho de 2010 na feira livre do mercado público de Barbalha, Estado do Ceará. Situado ao lado sul da Chapada do Araripe, possui dois tipos principais de solos: latossolo e sedimentar. As principais elevações são as serras: Serra do Araripe. Já a bacia sedimentar se caracteriza por formar aquíferos, existem várias fontes de água espalhadas por toda a área da chapada. Localiza-se na Região Metropolitana do Cariri com área de 479.186 km2 e 53.011 habitantes (IBGE, 2009). A economia do mesmo tem sua base tradicional no comércio e na agricultura.

Durante a realização do trabalho, aplicou-se um questionário a 13 feirantes para avaliar possíveis injúrias, danos, doenças de pós-colheitas ocorrentes, bem como se procurou avaliar o contexto da comercialização diante de tais ocorrências. Os questionários foram analisados utilizando-se estatística descritiva além de comentários considerados relevantes, os quais foram incluídos para enriquecimento do trabalho.

Com as informações adquiridas, foi possível fazer um levantamento das doenças e da qualidade dos frutos analisados no período de Maio a Julho com visitas semanais. A escolha dos feirantes foi feita de modo aleatório.



RESULTADOS E DISCUSSÃO



Durante as visitas ao mercado público de Barbalha, constatou-se que não há um processo específico de classificação de frutos. Todos são colocados no mesmo local, sendo feita apenas uma separação periódica daqueles que não possuem mais qualidade alguma para consumo. Através da pesquisa verificou-se aparentemente, que parecia não ocorrer diferença concernente a qualidade dos frutos, o que leva a pensar ser um único fornecedor do produto para todos os feirantes, porém os dados coletados afirmam o contrário.

De acordo com as informações obtidas, observou-se que 93% dos feirantes conhecem a origem dos frutos que comercializam, sendo a maioria obtida principalmente dos estados de Pernambuco, Bahia e de áreas locais cultivadas por pequenos produtores (exemplo disto é o sítio Macaúba localizado no município de Barbalha).

Notou-se também que 69,23% das barracas analisadas, apresentavam frutos de má qualidade, incluindo-se aí: injúrias, danos e doenças, sendo que, dessa porcentagem, 68% são devido a doenças de pós-colheita, das quais podemos citar com maior frequência de ocorrência a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), que segundo SERRA & SILVA (2004) é a principal doença de frutos em pós-colheita, sendo considerada doença de elevada importância econômica no Nordeste do Brasil. Observou-se também, porém, em menor quantidade a incidência de verrugose (Cladosporium herbarum) e bacteriose (Xanthomonas campestris pv. passiflorae).

Essas doenças comprometem o aspecto qualitativo dos frutos no tocante a apresentação para comercialização, muito embora não comprometa os frutos para consumo. Sabe-se que, para uma boa aceitação pelos consumidores, os frutos devem estar túrgidos, com a casca amarela, lisa ou pouco enrugada, e com ausência de manchas e de defeitos que possam afetar a qualidade da polpa, tais como rachaduras, presença de fungos e sinais de ataque por insetos (CETEC, 1985). Os outros 32% dos frutos, apresentaram injúrias mecânicas devido ao péssimo manuseio, mostrando-se machucados, aumentando por fim o índice de má qualidade.



CONCLUSÕES



Pôde-se notar que os frutos comercializados são obtidos através de atravessadores e que poucas informações sobre a origem e manejo cultural podiam ser obtidas. A qualidade dos frutos comercializados fica a desejar face aos danos, injúrias e doenças, comprometendo assim a comercialização. A antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) foi a fitomoléstia mais observada com 74% de ocorrência, seguida da verrugose (Cladosporium herbarum) com 14% e a bacteriose (Xanthomonas campestris pv. passiflorae) com 12% de incidência.

Notou-se, também, que essa incidência não alterou tanto quanto imaginado a comercialização do maracujá, pois, alguns consumidores possuem o hábito de consumir frutos nessa situação. Caso ocorresse uma melhor classificação dos frutos para comercialização, isentos de danos, injúrias e doenças de pós-colheita, os rendimentos obtidos pelos feirantes seriam melhores.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS



ARJONA, H.E.; MATTA, F.B.; GARNER, J.O. Temperature and storage time affect quality of yellow passion fruit. HortScience, Alexandria, v.27, n.7, p.809-810, 1992.



BARITELLE, J.L.; GARDNER, P.D. Economic losses in the food and fiber system: from the perspective of an economist. In: MOLINE, H.E. (Ed.) Postharvest pathology of fruits and vegetables: postharvest losses in perishable crops. Davis: University of California Agricultural Experiment Station Bulletin, 1984. p.4-10.



BRASIL. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA. Comercialização do maracujazeiro. Disponível em: ; Acesso em: 12 Ago. 2010.



CETEC. Manual para fabricação de geléias. Belo Horizonte: Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais, 1985. 42 p. (Série Publicações Técnicas/SPT-015).



PORTAL SÃO FRANCISCO. Maracujá. A cultura do maracujá. Disponível em: . Acesso em: 11 Ago. 2010.



SERRA, I. M. R. de S.; SILVA, G. S. da. Caracterização Morfofisiológica de Isolados de Colletotrichum gloeosporioides Agentes de Antracnose em Frutíferas no Maranhão. Summa Phytopathologica, Botucatu, v. 30, n. 4, p. 475-480. 2004.



SILVA, T.T.; DELLA MODESTA, R.C.; PENHA, E.M.; MATTA, V.M.; CABRAL, L.M.C. Suco de maracujá orgânico processado por microfiltração. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.40, n.4, p.419-422, 2005.



TODA FRUTA. Agricultura orgânica com enfoque para a possibilidade do cultivo orgânico do maracujazeiro. Disponível em: . Acesso em: 14 Ago. 2010.



WIKIPÉDIA. Barbalha. Disponível em: . Acesso em: 09 Ago. 2010.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Alunos UFC Cariri em aula na Embrapa Agroindústria Tropical

Alunos do curso de Agronomia da UFC Campus no Cariri, estiveram no dia 15 de outubro participando de aula prática na EMBRAPA Agroindústria Tropical em Fortaleza. Na oportunidade mantiveram contato com os pesquisadores que estão conduzindo experimentos no sistema de cultivo protegido, principalmente na parte de doenças de plantas.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ASPECTOS QUALITATIVOS E FITOPATOLÓGICOS DE FRUTOS DE MAMÃO COMERCIALIZADOS NOS MERCADOS PÚBLICOS DE JUAZEIRO DO NORTE, CRATO E BARBALHA


Jaqueline Saraiva de Lira¹; Joaquim Torres Filho²
¹ Aluna do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri:e-mail:jaquelynejack@hotmail.com

² Orientador: Professor Adjunto do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri: joaquim.torres@ufc.br

Resumo

O presente trabalho foi realizado nos mercados públicos das cidades de Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte, observados em um período de 60 dias nos meses de Maio e Junho, através de visitas semanais. O objetivo do presente trabalho foi realizar levantamentos para observar os aspectos qualitativos e fitopatológicos dos frutos de mamão encontrados em diferentes épocas e locais nestes mercados. Por ocasião das inspeções, foram feitos registros através de fotos digitais e procurou-se também obter informações no tocante ao processo de comercialização. Observou-se na pesquisa que de 40 barracas analisadas, 35 apresentavam frutos de má qualidade, equivalente a um índice de 87,5%. Dentro dessa porcentagem, 75% eram devido a ocorrência de fitomoléstias e os outros 25% às péssimas condições de manuseio, que inevitavelmente causam injúrias e danos aos frutos. Pode-se concluir que a rentabilidade está ligada a qualidade dos frutos (ausência de injúrias, danos e fitomoléstias), que requer cuidados para uma melhor comercialização e satisfação do consumidor.
Palavras-chave: Fruticultura; Qualidade; Fitopatologia.

Introdução

O mamão é originado do continente americano, típico de regiões tropicais e subtropicais, onde o Brasil se destaca como maior produtor do mundo sendo cultivado em todos os estados brasileiros. No Brasil são conhecidas mais de 57 variedades de mamão, nas quais estão incluídos mamão papaia, formosa, mamão-da-baía, mamão-macho, mamão-da-índia entre outros.

Dentre as muitas funções que o mamão apresenta na saúde humana, também se enfatiza seu grande foco na economia. O mamão, como outras frutas é bastante comercializado em feiras, supermercados entre outros, por suas qualidades já citadas aqui. Nestas feiras observa-se o manuseio de tais frutos e sua consequente aceitação pelo consumidor. Embasado nisto e nas visitas práticas realizadas, adquiriu-se um maior conhecimento sobre as condições nas quais os frutos estão mantidos durante o processo de comercialização. Nestas feiras foram vistas as péssimas qualidades dos frutos oferecidos ao consumidor e o despreparo dos comerciantes, no tocante às boas práticas sanitárias e ao conhecimento da origem dos produtos comercializados.

Tendo em vista a qualidade dos frutos para a alimentação humana, além de sua importância econômica, foram realizadas visitas aos mercados públicos com o intuito de se avaliar a qualidade dos frutos comercializados.

Segundo (STAKMAN e HARRAR, 1957), a “Doença de planta é uma desordem fisiológica ou anormalidade estrutural deletéria à planta ou para alguma de suas partes ou produtos, ou que reduza seu valor econômico”.

As doenças de plantas são importantes para o homem devido a causarem danos às plantas e seus produtos, bem como por influenciarem direta ou indiretamente na rentabilidade do empreendimento agrícola. As perdas pós-colheita do mamão podem ter causas diversas, dentre as quais se destacam as doenças que reduzem a quantidade e a qualidade dos produtos vegetais causando perdas econômicas, podendo levar a custos inaceitáveis de controle. (MICHEREFF, [s.d]).

Além destes fatores, os frutos são influenciados pela fertilização e estão sujeitos a perdas pós-colheita por patógenos, que podem se manifestar nos frutos isoladamente ou em conjunto com os fatores abióticos, proporcionando perdas qualitativas nas diferentes fases de comercialização.

Com vistas na produção e no mercado para atender as exigências dos consumidores os produtores procuram superar fatores que agridem os frutos como fungos, bactérias, vírus e nematóides, além de pragas. A presença desses seres indesejáveis traz uma série de alterações em toda morfologia da planta, principalmente nos frutos como: manchas, necrose, podridões, deformações e queda de flores e folhas, redução no vigor e baixa produtividade. Dentre esses, a cultura do mamão apresenta outro fator limitante no que diz respeito ao uso de produtos químicos, ou seja, existem poucos produtos reconhecidos pelo ministério da agricultura, além de ser uma cultura bastante sensível à exposição de defensivos recomendados (TODA FRUTA, 2008).

O objetivo do presente trabalho foi avaliar a qualidade dos frutos do mamoeiro e aspectos fitopatológicos de possíveis doenças de pós-colheita, nos mercados públicos das cidades em epígrafe, levando em consideração os termos de qualidade, a forma como são manuseados e a rentabilidade fornecida devido a tais condições. Com base nos resultados dos questionários aplicados, informações importantes foram colhidas para subsidiar a análise do atual contexto de comercialização.

Material e Métodos

O trabalho foi conduzido nas feiras do município do Crato, Barbalha e Juazeiro do Norte, integrantes da Região Metropolitana do Cariri, que surgiu da conurbação entre esses municípios denominado Crajubar, localizado no Estado do Ceará, nos meses de maio e junto de 2010. Com uma população correspondente a 560.325 hab (IBGE, 2009), a região tem como área de influência o sul do Ceará, onde se encontram diversos comerciantes, os quais têm no mercado a principal fonte de renda familiar.

Nos mercados públicos têm-se grande diversidade de frutos típicos, oriundos de vários locais da região, principalmente dos estados de Pernambuco, Bahia e de áreas locais cultivadas por pequenos produtores.

Durante a execução do trabalho, foram realizados registros das principais doenças e anomalias que depreciam a qualidade do fruto, através de fotografias digitais e questionários, os quais forneceram dados da origem dos frutos (mamão), a quantidade fornecida aos comerciantes, e a rentabilidade, seguindo o diagnóstico das doenças e registros de injúrias e danos. Os questionários foram analisados utilizando-se estatística descritiva com comentários sobre os vários fatos observados durante as visitas de inspeções. Com as informações adquiridas, foi possível fazer um levantamento das doenças e da qualidade dos frutos analisados nos meses de Maio e Junho, através de visitas semanais.

Resultados e Discussão

Observou-se que das 40 barracas investigadas, 35 apresentavam frutos de má qualidade, equivalente a um índice de 87,5%. Dentro dessa porcentagem 75% são devido a doenças de pós-colheita, dentre as quais podemos citar: a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), varíola (Asperisporium caricae) e mancha anelar ou mosaico do mamoeiro (Papaya ringspot vírus, PRSV), sendo esta última predominante. Estas doenças comprometem o aspecto qualitativo dos frutos no tocante a apresentação para comercialização, muito embora não comprometa os frutos para consumo. Os outros 25% dos frutos que não apresentaram doenças, apresentaram danos e/ou injúrias mecânicas devido ao péssimo manuseio, mostrando-se machucados, aumentando por fim o índice de má qualidade.

Uma das dificuldades levantadas foi quanto ao desconhecimento da origem dos frutos comercializados por parte dos comerciantes, fato este que contribui para o desconhecimento de possíveis áreas produtoras. Muitos feirantes são pequenos agricultores e dispõe de seus cultivos para sua própria comercialização.

Segundo Shitarra (1994) as características de qualidade dos frutos são resultantes da relação de fatores genéticos (cultivares e porta-enxerto), climáticos (temperatura, chuva, luz e vento), estádio de maturação e tratamentos pós-colheita (fatores ambientais, métodos de manuseio entre a colheita e o consumo). Com isso é interessante conhecer todo o processo que vem desde a colheita até a sua comercialização, interagindo para determinar as características finais da qualidade dos frutos que serão comercializados.

Foi questionado o processo de comercialização, verificando-se que 20% dos comerciantes não estavam satisfeitos com a rentabilidade voltada ao seu trabalho, alegando que sairiam da atividade por outras oportunidades vigentes, que oferecessem um salário fixo, pois no mercado onde trabalham a renda é aleatória, considerada incerta.


Conclusões

Conclui-se que 87,5% das barracas inspecionadas apresentavam frutos com má qualidade, o que se chama comumente de frutos de “segunda”. Bem como, 75% dos frutos com má qualidade são devido a doenças de pós-colheita, sendo que a antracnose (Colletotrichum gloeosporioides), quanto mais o fruto atingia o estágio de maturação ela ficava mais severa, seguida da varíola (Asperisporium caricae) e mancha anelar ou mosaico do mamoeiro (Papaya ringspot vírus, PRSV), sendo a última predominante, ocorrendo com maior freqüência.

Mas, 25% dos frutos comercializados apresentavam injúrias e danos em face dos processos de colheita, transporte e armazenamento.

Os resultados obtidos mostram que a qualidade dos frutos comercializados nos mercados públicos fica a dever, pois frutos com injúrias e doenças, não conseguem bons preços na comercialização. É importante haver incentivo por parte dos órgãos governamentais no que diz respeito a instrução dos feirantes, para que haja uma melhoria nas suas atividades e mantendo as feiras livres, pois elas contribuem consideravelmente para o efetivo desenvolvimento local e regional.

 Referências Bibliográficas

BERGAMIN FILHO, A.KIMATH, H. Doenças do mamoeiro Carica papaya L. In: GALLI, F. BERGAMIN, A.F (Coord). Manual de Fitopatologia. São Paulo: Agronômica Ceres, 1980.

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. Estimativa da População. [2009]. Disponível em: . Acesso em: 29 jul. 2010.

CHITARRA, M.I.F., CHITARRA, A.B. Pós-colheita de frutos e hortaliças: fisiologia e manuseio. Lavras: ESAL/FAEPE, 1994. 289p

MARTINS, D. dos S. Situação atual da Produção Integrada de Mamão no Brasil. In: MARTINS, D dos S. (ed). Papaya Brasil: Qualidade do Mamão para o Mercado Interno. Vitória, ES: Incaper, 2003. p.253-265.

MICHEREFF, Sami J. Fitopatologia I.Conceito e Importância das Doenças de Plantas. Disponível em: . Acesso em 05 ago.2010.

PROJETO FRUTAS DO CEARÁ. Disponível em:. Acesso em 23/06/2010.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ocorrência do nematóide Meloidogyne mayaguensis na cultura da goiabeira e medidas de manejo fitossanitário

Ocorrência do nematóide Meloidogyne mayaguensis na cultura da goiabeira e medidas de manejo fitossanitário


foto créditos: Iapar
Joaquim Torres Filho [1], Erlan Weine L Teixeira ²,



1] Professor adjunto do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri. joaquim.torres@ufc.br

[2] Aluno do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri.– e-mail: weine-x@hotmail.com



Resumo

Meloidogyne mayaguensis, é um fator limitante na produção de goiabas. As perdas devidas ao ataque de nematóides na agricultura mundial são estimadas em aproximadamente US$ 80 bilhões/ano. Assinalado pela primeira vez em Petrolina-Pe, esse fitonematóide espalhou-se por quase todo o Brasil, inclusive no Estado do Ceará, através de mudas oriundas do estado de Pernambuco. Em visita de inspeção técnica realizada no mês de junho de 2009 ao assentamento Estrela no município de Barbalha, detectou-se grave infestação do nematóide Meloidogyne mayaguensis na cultura da goiabeira. O presente trabalho tem por objetivo fazer o registro de novos focos desta fitomoléstia e contribuir para o esclarecimento das medidas de manejo integrado que devem ser implementadas para evitar prejuízos maiores aos agricultores, além de contribuir com estudo da epidemiologia desse patógeno e alertar agricultores sobre o risco que representa na aquisição de mudas infectadas com M. mayaguensis
Palavras-chave: goiabeira; nematóide; Meloidogyne; manejo.




Introdução

Uma característica do cultivo da goiabeira no Brasil é que a exploração se dá em sua grande maioria por agricultores familiares em pequenas áreas de até 3 há.. Isto demonstra que essa cultura, como a maioria das culturas frutiferas, é uma boa alternativa para os pequenos proprietários, contribuindo de sobremaneira para valorizar o trabalho dos agricultores familiares (GOMES, 2007). A produção dessa fruta se concentra nos Estados de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Norte e Parana (PEREIRA et al., 1983).

As perdas devidas ao ataque de nematóides na agricultura mundial são estimadas em aproximadamente US$ 80 bilhões/ano. A quantificação de perdas no Brasil não e precisa devido principalmente às interações com danos provocados por pragas e outras doenças, condições climáticas adversas, presença de plantas invasoras e inadequação de tratos culturais (RITZINGER e FANCELLI, 2006).

Meloidogyne mayaguensis foi assinalado pela primeira vez no Brasil em Petrolina (PE), Curaçá e Maniçoba (BA), causando danos severos em plantios comerciais de goiabeira (CARNEIRO, 2001). (Anais do XXIV Congresso Brasileiro de Nematologia, p. 22, 2003). Em seguida, este patógeno foi assinalado em vários estados: Rio de Janeiro (LIMA et al., 2003), de São Paulo (ALMEIDA et al., 2006; TORRES et al., 2005), do Rio Grande do Norte (Torres et al., 2004), do Ceara (TORRES et al., 2005), do Espirito Santo (LIMA et al., 2007), do Paraná (CARNEIRO et al., 2006), do Mato Grosso (Soares et al., 2007), do Mato Grosso do Sul (Asmus et al., 2007), de Santa Catarina (Gomes et al., 2008), do Rio Grande do Sul (GOMES et al., 2008).

É uma espécie polífaga, de alta virulência, com potencial de multiplicação superior a M. incognita (Kofoid & White) Chitwood em cultivares suscetíveis de tomateiro, sendo capaz de vencer a resistência da cultivar Rossol de tomateiro portadora do gene Mi, e também de batata-doce. incognita, M. javanica (Treub) Chitwood e M. arenaria (Neal) Chitwood (CARNEIRO et al., 2001). Um dos maiores problemas fitossanitários que afeta a goiabeira é causado pelo nematóide das galhas, Meloidogyne spp., que é um fator limitante a produção de goiaba em países da América do Sul (EL BORAI; DUCAN, 2005). No Brasil, CARNEIRO et al (2001) descreveram corretamente como Meloidogyne mayaguensis RAMMAH & HIRSCHMANN (1988) como o agente causal da meloidoginose da goiabeira. No Espírito Santo LIMA et al, (2007), fizeram o primeiro registro da ocorrência desse patógeno em pomares comerciais no município de Pedro Canário.

Em visita de inspeção técnica realizada no mês de junho de 2009 ao assentamento Estrela no município de Barbalha, detectou-se grave infestação do nematóide Meloidogyne mayaguensis na cultura da goiabeira. O presente trabalho tem por objetivo fazer o registro de novos focos desta fitomoléstia e contribuir para o esclarecimento das medidas de manejo integrado que devem ser implementadas para evitar prejuízos maiores aos agricultores, além de contribuir com estudo da epidemiologia desse patógeno e alertar agricultores sobre o risco que representa na aquisição de mudas infectadas com M. mayaguensis.



Material e Métodos

A constatação desta fitonematose se deu no município de Barbalha na região metropolitana do Cariri no Assentamento Estrela por ocasião de uma visita técnica demandada pelo serviço de Extensão rural. A metodologia constou de exame do quadro sintomatológico nas folhas e nas raízes e coleta de raízes para análise laboratorial. Em campo foram observados os sintomas apresentados, como é o caso do bronzeamento das bordas foliares e/ou amarelecimento total da parte aérea, além da presença de desfolha e da coloração acinzentada do tronco ou ramos principais. As observações e coletas de material foram realizadas em caminhamento aleatório com retirada de amostras de solo e raízes da rizosfera da goiabeira as quais foram encaminhadas para análise laboratorial. No campo foi feito exame visual nas raízes para observação da presença de galhas.

Resultados e Discussão

A análise baseada no quadro sintomatológico e nas raízes com galhas com ovos e larvas do nematóide confirmou a presença do nematóide M. mayaguensis na região. Segundo informações do sistema de extensão rural do Estado do Ceará – Ematerce -, as mudas que originaram o plantio já foram adquiridas de Petrolina contaminadas e o problema encontra-se generalizado na região. Essa argumentação é reforçada por Torres et al. (2007), que citam que a expansão das áreas contaminadas no nordeste está relacionada com o plantio de mudas contaminadas provenientes do município de Petrolina-PE.

Essa é uma situação preocupante, pois a grande maioria dos plantios é realizada através de financiamento – PRONAF – levando a uma grande inadimplência dos agricultores em virtude da queda da produção verificada. TORRES et al. (2007) citam que uma das formas de evitar a disseminação do patógeno seria a conscientização dos produtores quanto à necessidade de aquisição de mudas certificadas e envio de amostras de solo e de tecido vegetal para laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, quando da instalação de pomares ou do surgimento de sintomas de causa desconhecida. Essa seria uma medida que de pronto já poderia ser aplicada pelas instituições financeiras no caso de novos contratos de financiamentos.

Uma ação mais eficaz dos órgãos de fiscalização federal e estadual seria a instalação de barreiras fitossanitárias com o objetivo de aplicar as leis e cobrar documentação necessária ao trânsito de materiais de goiabeira oriundos de outros estados e dentro do próprio estado.

No tocante a sintomatologia, foram observados na parte aérea: bronzeamento,amarelecimento,

queima dos bordos e queda das folhas. Nas raízes a presença de galhas e em alguns casos em estágio avançado o apodrecimento com sintomas reflexos na parte aérea de queda das folhas e declínio generalizado da planta.

Tendo em vista o problema identificado a opção de erradicação do plantio, que proporciona redução em até 80% da população do nematóide, com a queima das raízes, seguido de alqueive e pousio do solo, com arações e gradagens seguido do plantio de plantas antagonistas como Crotalaria ou mucuna em consórcio com o milho, contribui para reduzir substancialmente a população de nematóides do solo, além de fornecer renda extra com a produção de milho. A mucuna-preta tem apresentado resultados promissores no controle de Meloidogyne spp e, quando utilizada em sistemas de rotação de culturas pode ter efeito nematicida (Carvalho e Amabille, 2006).

É importante mencionar que a área afetada deve ser de todo isolada para evitar maior disseminação do nematóide. Para novos plantios, ao adquirir as mudas, observar se o produtor de mudas é certificado e enviar amostra para inspeção em laboratório. Evitar o plantio em áreas já cultivadas com a cultura da goiabeira. Melhorar o manejo da cultura com a utilização de compostagem agregada de uma boa adubação química proporciona resultados excelentes no controle de nematóide das galhas. Gomes et al. (2008) conduziram experimentos em pomares de goiabeira ‘Paluma’ com um e sete anos de idade infestados com M. mayaguensis com aplicação de esterco de curral, bagaço de cana adicionado de torta de filtro, adubação mineral e resíduo de abatedouro avícola. Os autores observaram que o composto residual de abatedouro avícola e o esterco bovino apresentaram potencial para o manejo de M. mayaguensis.



Conclusões

Em visita técnica por solicitação da Ematerce regional Cariri, constatou-se no assentamento Estrela no município de Barbalha a presença de plantas de goiaba apresentando quadro sintomatológico de fitonematose causada por M. mayaguensis.

Com base nas observações de campo e de laboratório, constata-se que o quadro do cultivo de goiabeira na região do Cariri se encontra ameaçado com a incidência dessa fitonematose. Medidas de manejo para essa doença passam necessariamente pela erradicação total de pomares contaminados, com a aplicação de práticas de alqueive e pousio do solo, com arações e gradagens e plantio consorciado de Crotalaria, mucuna ou cravo de defunto com a cultura do milho, esta última com o intuito de proporcionar uma renda para o agricultor.

Por outro lado, a agência de defesa agropecuária do estado do Ceará deve implementar reforço nas barreiras fitossanitárias para controle de materiais oriundos de outros estados e que possam aumentar ainda mais a disseminação do nematóide.



Agradecimentos

Os autores agradecem ao apoio dos técnicos do escritório da Ematerce de Barbalha e dos agricultores do assentamento Estrela.



Referências Bibliográficas



ALMEIDA, E.J.; SOARES, P.L.M.; SANTOS, J.M.; MARTINS, A.B.G. Estudo da resistencia de especies de aracas (Psidium spp) (MYRTACEAE) a Meloidogyne mayaguensis em casa de vegetacao. XXVI CONGRESSO BRASILEIRO DE NEMATOLOGIA, Campos de Goyatacazes. Resumos, Nematologia Brasileira, 30 (1): 118, 2006.

CARNEIRO, R.M.D.G.; MOREIRA, W.A.; ALMEIDA, M.R.A.; GOMES, A.C.M.M.Primeiro registro de Meloidogyne mayaguensis em goiabeira no Brasil. Nematologia Brasileira, 25(2): 223-228, 2001.

CARNEIRO, R. M. D. G. Uma visão mundial sobre a ocorrência e patogenicidade de

Meloidogyne mayaguensis em goiabeira e outras culturas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE NEMATOLOGIA, 24., 2003, Petrolina. Anais..., Petrolina, 2003, p. 22.

CARNEIRO, R.G., MONACO, A.P.A.; LIMA, A.A.C.; NAKAMURA, K.C.; MORITZ, M.P.; SCHERER, A.; SANTIAGO, D.C. Reacao de gramineas a Meloidogyne incognita, a M. paranaensis e a M. javanica. Nematologia Brasileira, 30(3): 287-291, 2006.

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PEREIRA, F. M.; OIOLI, A.A.P.; BANZATO, D.A. Enraizamento de diferentes tipos de estacas enfolhadas de goiabeira (Psidium guajava, L.) em camaras de nebulizacao. Científica, 11 (2): 239-244, 1983.

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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

AVALIAÇÃO DO USO DE AGROTÓXICOS NA AGRICULTURA FAMILIAR NO MUNICÍPIO DE JARDIM - CE.

Hernandes Rufino dos Santos [1]; Joaquim Torres Filho [2].


[1] Aluno do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri.– e-mail: hernandesufc@yahoo.com.br

[2] Orientador: Professor adjunto do Curso de Agronomia do Campus da UFC no Cariri. e-mail: joaquim.torres@ufc.br

 
Resumo

Com o estímulo de uma produção cada vez maior, para aumentar a produtividade, o uso de agrotóxicos passou a ser uma regra nos plantios. Os Agrotóxicos são usados em larga escala em grandes e pequenas áreas de todo o Brasil. O desconhecimento de qualquer informação sobre seu uso mostra a vulnerabilidade dos produtores rurais a qualquer tipo de pesticida. O trabalho foi conduzido no distrito de Novo Horizonte no município de Jardim - CE com agricultores familiares que utilizam agrotóxicos em seus plantios. Foram realizadas vinte entrevistas no período de maio a junho de 2010. Foi aplicado um questionário com perguntas sobre a cultura plantada, aquisição, preparo e aplicação de agrotóxicos. Quando questionados se recebem orientação para o uso racional de agrotóxicos, foi unanimidade o não, representando todos os entrevistados. Não existe treinamento e muito menos recomendação para uso e manuseio de agrotóxicos. Sabendo-se que é muito comum o uso de calendário para aplicação de agrotóxicos, perguntou-se se eles aplicam de maneira preventiva: (92,30%) responderam que não e (7,70%) positivamente. Quanto a confiabilidade dos resultados obtidos pela aplicação dos agrotóxicos, todos foram unânimes em afirmar que sim, muito embora não tenham parâmetros para afirmar tal assertiva. Verifica-se uma situação de grande risco para aplicadores e para o meio ambiente, pela ausência de orientação, muito menos capacitação técnica. Não existe fiscalização sobre a emissão de receituário agronômico, muito menos fiscalização de órgãos competentes.

sábado, 28 de agosto de 2010

Sobre orgânicos*

Segundo a Instituição Normativa no 007, de 17 de maio de 1999 do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, considera-se sistema orgânico todo aquele em que se adotam tecnologias que otimizem o uso de recursos naturais e socioeconômicos,  tendo por objetivo a auto-sustentação no tempo e no espaço, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de insumos artificiais tóxicos,  organismos geneticamente modificados (OMG, transgênicos) ou radiações ionizantes emcada fase do processo de produção, armazenamento e consumo, privilegiando a preservação da saúde ambiental e humana e assegurando a transparência em todos os estágios de produção e da transformação (MAA, 1999). Em suma, busca-se a oferta de produtos saudáveis e de elevado valor nutricional, isento de qualquer tipo de contaminantes que ponham em risco a vida do consumidor, do agricultor e do meio ambiente, como também a preservação e ampliação da biodiversidade dos ecossistemas e a conservação das condições físicas, químicas e biológicas do solo, da água e do ar.
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*contribuição do aluno Caríssio Silva

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Cultivo de hortaliças em ambiente protegido

O cultivo protegido é uma tecnologia que permite ao agricultor várias vantagens quando comparado ao sistema tradicional. A produtividade é uma delas. Mas ao contrário do que se pensa, o cultivo protegido requer o aprimoramento das técnicas de manejo sob pena do tiro sair pela culatra.
No caso específico de doenças de plantas, algumas fitomoléstias que não ocorrem com frequência no plantio convencional, ocorrem no cultivo protegido. Esta ocorrência é mais pelo fato do manejo inadequado do que propriamente por condições ideais para o ataque do patógeno. Vejamos o caso do "talo oco" ou "moledo", cujo agente causal, a bactéria Erwinia carotovora, ocorre com frequência em função do manejo inadequado da irrigação. Para fugir do ataque desta bactéria, a solução é o plantio em substratos artificiais, de modo que a raiz da planta não tenha contato com o solo.
Outro aspecto que chamamos a atenção é que, visitas às estufas só devem ser permitidas até as 8 horas (da manhã), pois passado esse tempo, visitas novas poderão trazer patógenos indesejáveis.
Voltaremos breve ao assunto!

Fitodisease: Proteção à planta e não à doença!

terça-feira, 27 de julho de 2010

A relação de causa e efeito em doenças de plantas

O título acima citado parece em princípio um pouco descabido. O grande problema é que no contexto geral de um plantio de uma cultura, a área de fitopatologia é posta em segunda plano, quando o correto seria fazer parte de um planejamento integrado e preventivo através de várias ações de manejo cultural, de solo, da irrigação e da previsão do tempo.
O correto manejo de uma cultura, dentro de uma visão holística é questão de preferência e prevenção de riscos, danos e perdas. Muitas vezes a doença é consequência. Lembro-me de um caso em que um agricultor procurou-me para diagnosticar a morte precoce do maracujazeiro em sua propriedade. Antes de plantar o maracujazeiro ele cultivou tomateiro. Como se aduba em larga escala o tomateiro, planta-se o maracujazeiro na esperança de utilizar resíduos de adubos que foram colocados para o tomateiro. O solo tem vida e o maracujazeiro é uma nova cultura e merece ser bem manejada. Como consequência da falta de manejo adequado, o maracujazeiro começa a apresentar debilidade tanto de aspecto hídrico como nutricional e o reflexo é que esta debilidade é uma porta aberta para entrada de patógenos menos especializados, mas que provocam sérios danos ao cultivo.
Causa: péssimo manejo....Consequência: doenças, perdas, danos e injúrias.

Voltarei ao assunto!

terça-feira, 20 de julho de 2010

Novamente a questão dos agrotóxicos

ORIENTAÇÃO*(Matéria publicada no caderno regional do DIÁRIO DO NORDESTE em 20/07/2010) www.diariodonordeste.com.br
Capacitação para aplicar veneno

Limoeiro do Norte. Engenheiros agrônomos e trabalhadores rurais que atuam no setor de aplicação de veneno serão capacitados nesta cidade, a partir da semana que vem, pela Agência de Defesa Agropecuária (Adagri). A medida faz parte de uma séria de ações estratégicas promovidas pelos principais órgãos do setor agrícola no Estado que fazem a elaboração do Plano Estadual de Uso de Agrotóxicos, coordenado pelo Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente no Ceará (Conpam). Mesmo com a orientação, um dos principais impasses continua a ser a falta de controle sobre a mistura de venenos, formando o coquetel de agrotóxicos.

Entre os dias 26 e 29 de julho, agentes da Adagri promoverão um curso sobre aplicação de veneno. No dia 29 os engenheiros agrônomos serão orientados pelo Crea sobre a necessidade de aplicação do receituário agronômico. Também participarão os comerciantes que revendem defensivos agrícolas.

"Fiscalizamos 22 revendas e o pessoal vende pouco agrotóxico e ainda vende errado. E vamos discutir a realização de uma coleta itinerante permanente de embalagem de agrotóxicos, a cada dois ou três meses", anuncia o gerente da Adagri, Nivardo Silva Júnior. Antes, servidores da Agência estão passando por capacitação, "para o pessoal sair em campo com mais confiança". Ele defende que só se conseguirá gerar resultados positivos se todos os órgãos articulados fizerem a sua parte. Os diagnósticos feitos por Semace, Secretaria da Saúde, Adagri e Ministério da Agricultura serão convergidos no relatório do Conpam, que neste semestre finaliza o relatório que será uma pré-produção do plano estadual que regulamentará o uso de agrotóxicos. "É um processo complicado, mas estamos até finalizando um manual de fiscalização", diz Nivardo. O primeiro alvo de todo o trabalho é a Chapada do Apodi, em Limoeiro, onde foi constatada uma série de irregularidades no uso de venenos nas lavouras.

sábado, 26 de junho de 2010

AGROTOXICO

EDITORIAL DO JORNAL DIÁRIO DO NORDESTE EM 26/06/2010

Risco dos agrotóxicos
Os organismos internacionais de vigilância e controle de uso dos agrotóxicos na produção de alimentos mantêm esforço permanente e sistemático para impedir essa prática, diante da expansão dos índices de enfermidades provocadas pela variedade de venenos empregados no combate às pragas agrícolas. No Brasil, essa ação registra, por enquanto, duas orientações conflitantes, pelas quais a proibição da Saúde estaria desfeita pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde encarregado de disciplinar o uso e controlar o consumo dos compostos com risco à saúde pública, decidiu banir no fim de 2009 cinco agrotóxicos, por haver sido comprovada sua relação com o surgimento de casos de câncer e de má-formação fetal. O banimento atingiu os produtos triclorfom, cihexatina, acefato, endossulfam e metamidofós, os três últimos encontrados em alimentos consumidos largamente no País.

A retirada de mercado seria feita, paulatinamente, até o próximo ano, por conta da relação dessas substâncias com as doenças do sistema nervoso. Em 2008, o estudo de uma universidade norte-americana havia comprovado o relato de 61% dos pacientes com mal de Parkinson em razão de seu contato com a aplicação desses produtos tóxicos. Este ano, a Academia Americana de Pediatria divulgou outro estudo, realizado com 1.100 crianças. Dentre elas, 119 com transtorno de déficit de atenção tinham resíduo de organofosforado na urina acima da média das outras crianças.

O Ministério Público Federal está promovendo ação civil pública para proibir no Brasil o uso do agrotóxico endossulfam, produto altamente tóxico que já teve seu consumo excluído em 60 países. Embora comprovadamente nocivo à saúde, continua sendo utilizado nas plantações agrícolas daqui.

Durante o ano passado foi utilizado 1 milhão de toneladas de agrotóxicos em lavouras, no País, resultando na distribuição média de 5 quilos para cada consumidor.

Para aferir as condições de qualidade em saúde pública, a Anvisa promove pesquisa rotineira como parte do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos. Na última sondagem, realizada em 26 Estados, neles incluído o Ceará pela primeira vez, constatou-se que frutas, verduras e legumes chegam envenenados à mesa do consumidor.

No universo de 20 culturas, o levantamento encontrou a presença de 234 tipos de agrotóxicos. Das amostras coletadas, 29% apresentaram problemas, como o uso de defensivos proibidos, sem registro no País ou acima do limite permitido pela legislação. Os tipos de venenos descobertos causam câncer, distúrbios neurológicos e no sistema endócrino.

Na contramão do controle sanitário, o Ministério da Agricultura deseja promover novos testes, arrolados como "avaliações de risco", para observar se os efeitos nocivos dos agrotóxicos podem ser minimizados sem que as substâncias sejam necessariamente banidas. Pelo visto, a administração federal não fala a mesma língua, restando os malefícios para os consumidores. A solução é a agricultura orgânica, pura, limpa.

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http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=805953

domingo, 13 de junho de 2010

Teste seu conhecimento sobre vírus

1) Os vírus distinguem-se de todos os seres vivos porque:
a)São parasitas
b)Tem células procarióticas
c)Não tem estrutura celular


2)Todas as características pertencem aos vírus, exceto:
a)Parasitas obrigatórios
b)Capacidade de se dividir e crescer autonomamente
c)Presença de um só tipo de acido nucléico.

3) Em 1966, o Comitê Internacional para Nomenclatura e Taxonomia de vírus de plantas, decidiu que a classificação dos vírus segue:....

a)Sistema taxonômico família-gênero-espécie e nomenclatura em latim.
b)Taxonomia em grupos e nomenclatura binominal.
c)Taxonomia de Reino a espécie e nomenclatura em latim baseada no hospedeiro do vírus.
d)Taxonomia em grupos e nomenclatura em inglês baseada no hospedeiro do vírus e na sintomatologia.

4)Sobre a replicação dos vírus é correto afirmar que:

a)Quando o vírus possui como material genético o DNA, a síntese de DNA e proteínas bem como o acoplamento ocorre no citoplasma da célula hospedeira
b)Quando o material genético do vírus é o RNA, o local de síntese de RNA e proteínas e o acoplamento são no núcleo da célula.
c)As etapas de replicação viral são: a penetração na célula hospedeira, o desnudamento ou liberação do ácido nucléico, a síntese do ácido nucléico e proteínas e a maturação ou acoplamento destes dois componentes.
d)Se o vírus estiver desprovido de capsômero, devido a alguma alteração na sua estrutura, não será possível a replicação deste vírus.

5)Sobre a disseminação e a infecção de um hospedeiro ou vetor com o patógeno vírus é incorreto afirmar que:

a)Os vírus podem ser transmitidos por vetores aéreos, como os insetos e os ácaros ou vetores do solo, como os nematóides e os fungos.
b)A forma de transmissão de vírus que não tem grande impacto em condições naturais é a transmissão mecânica através da seiva.
c)Não é necessário ferimento na célula hospedeira do vírus para que ocorra a penetração do patógeno.
d)A transmissão de vírus através de propagação vegetativa pode ocorrer através da união de tecidos (enxertia) ou pela propagação de material contaminado, como tubérculos, rizomas, bulbos e outros.

6)Os vetores com maior importância para a transmissão de vírus são:

a)Afídeos, cigarrinhas e moscas brancas.
b)Cochonilhas, pulgões e besouros
c)Besouros, tripes e gafanhotos.
d)Percevejos, agromizídeos e moscas brancas.

7)É um vírus que se transmite por contato
a)Cucumber mosaic vírus
b)Bean golden mosaic vírus
c)Tobacco mosaic vírus
d)Nenhum deles.

8) Qual dos seguintes componentes químicos não faz parte dos vírus vegetais?
a)Ácidos Nucleicos
b)Protéinas
c)Ácidos graxos
d)Carboidrato

9) Qual das seguintes alternativas não condiz com as características verdadeira dos vírus?
a)Parasitas obrigatórios
b)Presença de dois tipos de ácidos nucléicos,RNA e DNA
c)Incapacidade de crescer e se dividir autonomamente
d) Replicação somente a partir de seu próprio material genético

10)É um vírus que se transmite por contato
a)Cucumber mosaic vírus
b)Bean golden mosaic vírus
c)Tobacco mosaic vírus
d)Nenhum deles.
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respostas para e-mail: jotofi@bol.com.br

domingo, 6 de junho de 2010

MP quer banir agrotóxico

6/6/2010 Notícia publicada no jornal Diário do Nordeste


Em 2009, o Brasil importou cerca de 2,7 milhões de quilos do agrotóxico que é altamente nocivo

São Paulo. O Ministério Público Federal vai ingressar na segunda-feira com uma ação civil pública para proibir o uso do agrotóxico endossulfam no Brasil. O produto, altamente tóxico, já foi banido em 60 países e é considerado pela própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como nocivo à saúde. Mesmo assim, continua sendo usado na lavoura.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o Brasil importou 1,84 milhões de quilos de endossulfam em 2008. No ano passado, o número saltou para 2,37 milhões de quilos.

A ação, que será proposta com pedido de liminar, requer a suspensão de informes de avaliação toxicológica do agrotóxico pela Anvisa. Medida que, se concedida, impedirá a comercialização do produto no País.

"Não há razão para tanta demora na adoção de ações que garantam o fim do uso do produto no País", argumenta o procurador da República, Carlos Henrique Martins Lima.

Multa diária

A ação pede que a agência não conceda novos informes para produtos que levem o endossulfam, usado principalmente nas plantações de cacau, café, cana-de-açúcar e soja.

Em caso de descumprimento, o Ministério Público pede fixação de multa diária de R$ 15 mil, revertida para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

O endossulfam está associado ao aparecimento de câncer e a distúrbios hormonais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Tratar a planta e não a doença


O enfoque a ser dado por qualquer agrônomo de bom senso é sempre direcionado a tratar a planta. Doença de planta na grande maioria das vezes é consequência de manejo inadequado do solo, hídrico e cultural.
Durante o cultivo de uma determinada espécie, várias medidas de caráter preventivo devem ser tomadas para evitar o máximo possível qualquer perda decorrente do ataque de um determinado patógeno.
No tocante às questões hídricas, o bom dimensionamento e escolha do tipo de irrigação a ser utilizado é fundamental para o sucesso da cultura. Situações que envolvem consórcio de culturas como cultivo de mamoeiro e coqueiro com irrigação por aspersão, conduzem ao favorecimento do ataque do fungo Asperisporium caricae,agente da varíola do mamoeiro e da podridão do olho do coqueiro com Phytophthora.
Adubações excessivas com nitrogênio, principalmente na fórmula de uréia, favorecem bastante o ataque de várias doenças no tomateiro. Adubar equilibradamente dando preferência ao sulfato de amônio nos parece mais lógico.
Podas de formação e limpeza na cultura do maracujazeiro devem ser precedidas de inspeção sob pena de se tornarem práticas contraproducentes e desse modo ao invés de ser a solução se tornarão problemas proporcionando ocorrência de fitomoléstias como antracnose e bacteriose.
Por isso o lema é tratar a planta e não a doença.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Agroquímicos, doenças de planta e ambiente


O aparecimento de uma fitomoléstia é resultante da interação entre uma planta suscetível, de um patógeno e fatores ambientais favoráveis. O ambiente, é um componente importante nesta interação.
Questões nutricionais, quer pela escassez ou pelo excesso de adubo, temperatura, umidade relativa do ar. chuva, orvalho, entre outros fatores podem contribuir para a ocorrência de fitomoléstias.
A grande questão é que o imediatismo inconsequente leva sempre a aplicação de agroquímicos, ignorando a interação existente entre patógeno, ambiente e hospedeiro, e mais ainda, ignorando as medidas de manejo integrado de doenças.
Sempre digo que o correto é combater a causa e não a consequência. Nem sempre a doença de planta é controlada somente com o uso de agroquímicos.
Potássio (K):
Exerce um efeito desfavorável a doenças;
Ex.: Cancro da haste da soja (Diaporthe phaseolorum),não se manifesta em plantas adubadas com potássio;
Em plantas não adubadas a doença ocorre de forma severa;
Micronutrientes
Ferro (Fe) – reduz a ocorrência da murcha de Verticillium em plantas de amendoim e manga;
Zinco (Zn) – aumenta a severidade da ferrugem do trigo (I.P. Bedendo).
Outro ponto a ser considerado é que no tocante aos microrganismos na natureza você tem os que são patogênicos, os antagonistas, os simbiontes, isso tudo vivendo em equilíbrio. A utilização desordenada de práticas agrícolas que possam contribuir para o desequilíbrio biológico, favorecerá os patógenos em detrimento dos antagonistas.
Quando se aplica muito agroquímicos, a "pressão de seleção" exercida favorecerá ao patógeno, pois a planta ficará debilitada. A solução neste caso é provocar uma ruptura suspendo tudo que é tratamento e fornecer um manejo adequando ao bom equilibio biológico da planta.
A ação do ambiente pode se dar de diferentes formas:
Diretamente:
Sobrevivência;
Disseminação;
Infecção;
Colonização;
Reprodução.
Indiretamente:
Alterando populações ou atividades microbianas no solo Sinergística ou Antagônica em relação ao patógeno (I.P. Bedendo).
_________
BEDENDO, I.P. Vírus. In: BERGAMIN FILHO, A.; KIMATI, H.; AMORIM, L. (Eds.). Manual de fitopatologia: princípios e conceitos. 3. ed. São Paulo: Agronômica Ceres, 1995. v.1, p.132-160.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Agrotóxico e o uso indiscriminado



Reportagem do jornal Diário do Nordeste do dia 15 de maio de 2010 aborda a questão do estudo realizado pela ANVISA e menciona que: "O cearense está consumindo alimento com excesso de resíduos de agrotóxicos. De 135 coletas realizadas em pequenos e grandes supermercados da Grande Fortaleza, em somente três delas os índices foram considerados dentro do limite permitido".

Essa é uma questão muito antiga, pois o uso de agroquímicos é uma medida integrante do manejo integrado de doenças e pragas, ou seja, é um recurso adicional para utilização pelos produtores.

Várias são as maneiras para se prevenir de ataques de pragas e doenças em plantas cultivadas. Contínuo a crer que, pela experiência que tenho, a aplicação de medidas de manejo integrado para o controle de pragas e doenças, deve ter uma visão holística do técnico responsável pelo gerenciamento de campo e focar na causa do problema e nunca na consequência.

Plantas oriundas de sementes e mudas certificadas, cultivadas com boa nutrição orgânica e suplementação de adubos químicos, com sistema de irrigação bem dimensionado, acrescido de boas práticas de manejo cultural, podem até sofrer com ataques de pragas e doenças, mas para isso existe um limite de dano econômico que deve ser o balizador para a utilização ou não de agroquímicos.

Os problemas oriundos de resíduos químicos, da má aplicação, da falta de respeito ao período de carência, mistura de produtos, aplicação em excesso entre outros, são os responsáveis pelo insucesso no uso desses produtos.

É bom olhar para os consumidores, pois são eles vítimas e ao mesmo tempo os maiores demandadores por produtos de melhor qualidade.

Finalmente, a matéria induz a uma reflexão de todos que lidam direta e indiretamente com esses produtos.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Fungo acaba com um terço do ópio do Afeganistão e faz o preço disparar, beneficiando os taleban


Fonte: El Pais postado no UOL
Mariangela Paone
Em Madri
Mulheres trabalham em lavoura de papoula durante o período de colheita no Afeganistão

A destruição das colheitas de papoulas causada por um fungo nas últimas semanas está acabando com um terço da produção de ópio do Afeganistão, fazendo disparar os preços em benefício dos taleban, segundo informou ontem a Agência da ONU contra a Droga e o Crime (UNODC na sigla em inglês). "Em todo o país estimamos uma redução da produção de 25 a 30%, sobretudo no sul, onde se concentram as plantações", disse o diretor da agência, Antonio Mario Costa, em conversa por telefone de Nova York.

Na província de Helmand, onde em fevereiro as forças da Otan lideradas pelos EUA lançaram a maior ofensiva desde o início da guerra no Afeganistão em 2001, a redução das colheitas alcança 50%. Em Kandahar, outra peça chave da campanha militar afegã, a redução é calculada em 20%. Trata-se ao todo de cerca de 2 mil a 3 mil toneladas a menos, algo que, segundo Costa, não justifica o forte aumento do preço, de até 60%, que está sendo registrado.

"O Afeganistão continua produzindo uma quantidade de ópio superior à demanda global. Não há escassez. Mas falamos do preço aos agricultores, o chamado 'farm gate price', e esta é a reação dos que veem o próprio produto destruído em sua totalidade ou em parte", disse Costa.

Embora o corte da produção tenha sido um dos principais objetivos das forças internacionais no país, agora poderá se transformar em um novo elemento de risco. Por duas razões diferentes mas complementares no quadro da estratégia militar americana. A primeira é o efeito sobre o apoio da população local. "Entre os agricultores", explica Costa, "se difundiu a ideia de que a infecção não é natural, mas causada pela presença militar e o uso de agentes químicos." Uma hipótese que o diretor da UNODC descarta.

"Acreditamos que seja um fenômeno natural", diz, "mas se os agricultores perderem sua renda e continuarem acreditando que a difusão da infecção se deve à presença dos militares, isso se transformará em um risco estratégico. Poderiam ser tentados a se alistar nos taleban."

Uma infecção de ópio afetou as plantações de papoulas em 2005, mas atingiu sobretudo o norte do país, onde a produção é muito menos extensa que no sul. De fato, a maioria das províncias do norte está classificada pela ONU como "poppy free", sem plantações. As áreas de maior produção, lembra Costa, coincidem com as zonas que os taleban controlam ou nas quais têm influência. Nelas se concentram 90% da produção afegã, que por sua vez representa mais de 90% da produção mundial.

Daí vem o segundo motivo de preocupação para o sucesso da luta contra a insurgência. Embora não haja escassez, se o aumento do preço continuar - o preço hoje é de cerca de US$ 90 por quilo -, os taleban teriam a maior vantagem. "O aumento pode beneficiar os que têm estoques. Automaticamente haveria uma reavaliação de seu valor. Se os preços se mantiverem ou a infecção se estender para outras províncias, os taleban poderiam ser beneficiados porque têm grandes quantidades em suas mãos", comenta Costa.

O diretor da agência, no entanto, lembra que a destruição das colheitas é uma oportunidade: "Se a crise, bem-vinda como todas as reduções da produção, continuar, isto poderá se transformar em um fator positivo se forem oferecidos microcréditos e subsídios aos agricultores em troca do compromisso de não retomarem o cultivo".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves